―Havia uma mulher, solitária.
Sensível à dor, ela estava sempre chorando e emotiva.
A única razão de sua dor era que ela não conseguia perdoar sua própria falta de força. Ao seu redor, sempre havia um mundo cheio de conflitos, violência e guerra.
Não importava o quanto ela implorasse, não importava o quanto gritasse, não importava o quanto tentasse, não importava o quanto rezasse, a tristeza nunca terminava. Portanto, assim ela começou a amaldiçoar o destino.
Enquanto o amaldiçoava repetidamente, ela notou; Era inútil, não importava quantas lágrimas ela derramasse. E quando ela percebeu, começou a desejar uma outra coisa.
Poder bruto.
Para obter o poder que a permitiria dominar a todos, ela lutou até seus limites e correu, indo em direção ao poder que tanto desejava.
Ela não estava perseguindo o poder para ferir ou prejudicar, nem para tomar. Ela não tinha utilidade alguma para isso.
Ela perseguiu o poder que ninguém poderia alcançar, o qual ela acreditava que poderia usar para acabar com a violência.
A mulher que tanto chorava, queria para ela o poder de parar de chorar.
Ela sabia que se permanecesse impotente, nunca poderia parar uma luta onde o poder era confrontado com poder.
Sua voz permaneceu em silêncio. Seus desejos não foram atendidos. Mesmo se suas próprias dores fossem mantidas distantes, a tristeza ainda nublava o céu.
Como eles poderiam machucar um ao outro? Como eles poderiam ficar bem? Como eles poderiam pensar em viver com essas cicatrizes? Como, como, como? Por que eles não percebem que têm outras maneiras de se viver?
Mulher: “As crianças estão chorando. Os idosos estão chorando. Os homens estão chorando. As mulheres estão chorando. Todo mundo está chorando. Então por que–!?”
Para impedir isso, ela apenas desejava o poder.
Enquanto treinava, ela sofreu e suportou todas as dores para finalmente obter uma vontade imbatível.
Eventualmente, ela encontrou o fim do seu caminho. O ápice da força onde ninguém mais poderia alcançar.
De pé no campo de batalha, ela gritou para parar com a luta.
Para dominar todos os outros poderes com os seus próprios, para esmagar toda a tristeza, quebrar toda a malícia diante dela, com o fluxo interminável de lágrimas, ela lutou e deu o seu máximo.
Socando aqueles que brandiam suas espadas, chutando aqueles que lançavam magia, quebrando aqueles que mostravam suas presas, ela pulverizava todos e qualquer um que viesse buscar a batalha.
Mas, quanto mais a mulher lutava, mais forte se tornavam os espadachins, os magos e os portadores de presas, aumentando cada vez mais os seus números.
Como se ela tivesse entrado num espiral interminável de violência.
Ninguém sabia como se salvar a não ser responder a violência com violência. Foi por isso que ninguém sabia uma maneira de salvar a si mesmo, a não ser pela vitória na batalha.
Mulher: “Por que–!?”
No final, a própria mulher, apesar de saber disso, também respondeu com violência. Baixando o punho que pingava carmesim, ela levantou o rosto manchado de sangue para o céu, e lamentou.
A luta não iria parar. Seus esforços, seu trabalho duro, tudo havia sido em vão;
Finalmente, no peito da mulher que estava correndo incessantemente, o desespero se instalou.
Escorrendo por suas bochechas, as lágrimas transbordaram.
As lágrimas que continuamente escorriam não eram quentes, mas bastante frias. Eram as lágrimas de alguém impotente, se afogando em desespero.
No entanto, ao lado deles fluiu uma profunda e diferente emoção.
Tingindo seu coração de preto, sua visão vermelha e sua mente branca, uma tempestade despertou por dentro.
Com o rosto ainda molhado de lágrimas, a mulher veio a conhecer aquela emoção.
Quando conheceu seu nome, suas origens, ela passou a entendê-lo.
Ela não estava derramando lágrimas de tristeza.
Ela estava apenas se afogando na loucura da raiva.
As pessoas chamavam essa emoção de Fúria– não, eles chamavam de “Ira”.
A este mundo que obrigou os outros a chorar, aqueles que se recusam a parar de lutar, à absurda injustiça que é o fim da vida.
――Deixe-os provar um gostinho dos meus punhos de ferro.
Em algum momento, ela se levantou, limpou a sujeira de seus joelhos e saiu correndo.
Mergulhando na briga ainda em andamento, ela deu um soco no rosto de todos enquanto gritava.
Pare de lutar. Olhe para o céu. Sinta a brisa. Sinta o cheiro das flores. Viva, com suas famílias e entes queridos.
Pela primeira vez, a voz da mulher varreu a inquietação por todo o campo de batalha.
Punhos que poderiam quebrar a Terra, chutes que poderiam fazer os céus rugirem, tudo isso apenas para deixar os outros viverem.
Feridas fechadas, gritos silenciados e joelhos dobrados em face do calor que se espalhava enquanto a batalha perdia o seu sentido e significado.
Logo as vozes que choravam desapareceram do campo de batalha, a vida voltou ao mundano.
Quando as lágrimas do povo pararam, eles sentiram gratidão por ela. Eles levantaram suas vozes, acenaram com as mãos e sorriram.
No entanto, a mulher de repente não estava mais lá.
Isso era natural.
A mulher ainda tinha coisas para fazer. Ela não tinha nenhum motivo para voltar atrás, nenhuma razão para parar de andar.
Para cumprir seu desejo de criar um mundo onde ninguém chore, onde não haja conflito, onde ninguém tenha que tirar um do outro, ela correu, correu e continuou correndo.
Até o dia em que todo mundo parasse de chorar. Até o dia em que as gotas quentes que escorriam por suas bochechas parassem.
―― A Bruxa da Ira, que havia declarado guerra à própria tristeza, continuou correndo cada vez mais.
“――――”
Mais uma vez, depois de encontrar um Livro dos Mortos e ganhar o conhecimento que possuía, Subaru voltou à realidade.
De dentro dos limites de suas amarras, havia derramado o nome da pessoa cuja vida ele registrou, assim como os muitos campos de batalha que ela havia atravessado e a convicção que ela tinha quando ainda estava viva, mesmo que tudo isso fosse apenas uma gota no oceano de toda a sua vida.
E mesmo que ele tenha entendido isso–,
Subaru: “Isso foi pesado…”
Ele sentiu como se um pedaço de chumbo denso e pesado estivesse entupindo seu peito.
Para os humanos, não importa quem, um segundo é um segundo, um minuto é um minuto, um ano é um ano. Não há balança que possa medir o peso de uma vida de maneira diferente, assim o tempo flui igualmente para todos.
Tal escala de tempo não poderia simplesmente ser contida dentro de um papel tão frágil, nem poderia ser transferida para a mente dele, por mais especial e importante que a tecnologia fosse.
Ainda assim, mesmo que tenha tocado nele, Subaru teve que cerrar os dentes para manter sua mente sã, para não ser arrastado pela onda de memórias que fluíam.
As pegadas de suas vidas que foram deixadas para trás eram realmente grandes e pesadas.
Emilia: “Subaru, você está bem?”
Subaru: “…Ah, sim, estou bem. Minha cabeça deu uma volta, só isso.”
Emilia: “Não é isso que significa sentir-se bem…”
Fechando o livro nas mãos, ele o devolveu à estante enquanto Emilia o observava. Encontrando seu olhar com um olho fechado, Subaru apontou para o livro que ele acabou de colocar de volta,
Subaru: “Encontrei outro volume dos livros das Bruxas. Desta vez, bem…foi uma das melhores bruxas, se é que eu posso dizer isso. Mas, ela ainda era um pouco estranha.”
Emilia: “Estranha…Sekhmet?”
Subaru: “Essa é uma das mais estranhas do grupo. Espere, você conhece Sekhmet?”
De volta ao Túmulo do “Santuário”, Emilia deveria ter conhecido Echidna durante a “Festa do Chá das Bruxas”, mas Subaru nunca perguntou se ela chegou a conhecer as outras. Ele assumiu que Echidna abriu uma exceção para ele e, por conta disso, não permitiu que Emilia conhecesse as outras cinco bruxas. Por isso, ele se assustou quando o nome de Sekhmet escorregou da boca dela.
A “Bruxa da Preguiça”, Sekhmet, era uma mulher com longos e fluidos cabelos magenta esvoaçantes, dona de uma personalidade profundamente auto-indulgente. Deixando isso e seu comportamento de lado, ela era a pessoa mais razoável entre as Bruxas.
Subaru: “Se você conhece Sekhmet, o que acha das outras bruxas? Tipo, a deste livro por exemplo, Minerva, ou algo assim.”
Emilia: “Er, não, desculpe. Eu não conheci ninguém além de Echidna e Sekhmet no Túmulo. E também não falei muito com Sekhmet.”
Nota T/L: Aqui ocorreu uma alteração. Diferente da Light Novel, na versão de Web Novel no arco 4 após o final do terceiro teste de Echidna, Emilia conheceu Sekhmet ao invés de Minerva.
Subaru: “Então é isso. Não, está tudo bem de qualquer forma. Mesmo que você a conhecesse, isso não seria algo que você gostaria de ver de qualquer maneira…”
Dando um sorriso seco para Emilia que abaixou a cabeça, Subaru bateu levemente na lateral da estante.
As prateleiras que guardavam as memórias dos mortos eram feitas de um material estranho. Sob a palma de sua mão não havia a sensação de madeira, nem de ferro, e a própria estante se recusava a se mover quando pressionada.
Atualmente, ao passar pela Biblioteca no 3° Andar “Taygeta”, Subaru e os outros vieram a entender que os numerosos livros que estavam enfiados nas estantes tanto registravam quanto invocavam as memórias dos mortos. Apesar disso, eles continuaram sua busca por algo muito mais simples.
Emilia: “Hmm, eu me pergunto onde são as escadas para chegar ao andar superior?”
Subaru: “No momento, não tenho pista alguma sobre isso.”
Emilia inclinou a cabeça, perdida em seus pensamentos, enquanto Subaru estava do lado oposto, olhando para baixo enquanto suspirava.
No momento, todos estavam preocupados, não em como passar pelo próximo “Julgamento” do 3° Andar “Taygeta” mas em onde seria a localização da escada que os levaria ao 2° andar.
A área branca onde o Monólito estava desapareceu, deixando uma área aberta onde se encontrava a Grande Biblioteca “Taygeta”.
Graças a isso, eles agora tinham acesso às memórias dos mortos, um conceito que certamente era muito desejável, o que era bom e tudo menos isso,
Subaru: “Bem, por enquanto, nós realmente não temos nenhuma utilidade para este lugar.”
Procurar pelas informações que todos queriam vasculhando as memórias dos mortos seria uma tarefa difícil, dada a sua natureza, pois não podiam sequer escolher as memórias que se queria ver, devido à quantidade absurda de tempo, até mesmo de sorte que isso levaria.
Nenhum dos dois poderia ser poupado no momento. O tempo era obviamente curto, mas Subaru também não tinha fé suficiente em sua própria sorte, não importava o quanto ele fosse abençoado com isso.
Subaru: “Então é por isso que a informação que queremos pode estar nos andares superiores. É o único lugar que podemos supor.”
Emilia: “Mas não tem como chegar até lá em cima. Tentei subir nas estantes, mas não deu certo.”
Subaru: “Você é muito ousada, não é, Emilia-tan…”
Emilia apontou para o teto enquanto lembrava do que havia tentado fazer.
No meio de suas memórias, uma busca angustiante pela escada que levava ao andar superior, ela havia subido em cima da estante mais alta que havia na Biblioteca. As estantes foram dispostas de forma circular, com pequenos degraus elevados para levar para dentro, colocando a estante mais alta no centro. No entanto, nem mesmo isso permitiu ela atingir o teto da sala.
Deve-se notar que, apesar de Emilia ter subido na estante, e apesar de sua saia curta estar balançando ousadamente durante a ação, seus movimentos eram tais que nada era visível por baixo.
Quando Subaru cutucou de maneira indireta, Emilia simplesmente tocou a bainha de sua saia e,
Emilia: “Puck me ensinou. Hum, o que era mesmo? Uma dama deve sempre agir com graça e beleza? Eu sempre sou cuidadosa com isso, não se preocupe.”
Subaru: “Eu me sinto em conflito com isso. Eu quero elogiá-lo, mas também quero culpá-lo…de qualquer maneira.”
Emilia já havia falhado em sua tentativa de forçar fisicamente a passagem para o próximo andar.
Em outras palavras, havia um truque oculto na aparência da escada. Isso não se limitava apenas à aparência da Biblioteca, mas estendeu-se ao processo de subida.
Se fosse muito difícil, a motivação do desafiante provavelmente cairia, mas o criador da Torre de Vigia, Flugel, deve ter levado isso em conta também. A coragem.
Subaru: “Cara, eu realmente quero ver o rosto desse cara.. até mesmo a aparência dele é um completo mistério.”
Julius: “—Subaru, você pode vir aqui por um instante?”
Enquanto ele resmungava, atrás dele,uma voz o chamou. Do outro lado de Subaru e companhia, vasculhando uma estante separada, estava Julius. Vendo-o se aproximar com Anastasia a tiracolo, Subaru levantou a mão.
Subaru: “Claro, o que está acontecendo. Você encontrou alguma coisa?”
Julius: “Infelizmente, nada digno de atenção. Não consegui encontrar um único volume com um nome que eu conheça, desde aquele primeiro. Do seu lado parece estar em uma situação semelhante também.”
Emilia: “Isso não é realmente muito preciso. Subaru fez um bom trabalho, ele encontrou outro volume, então olhou através dele e começou a parecer meio consternado. Certo, Subaru?”
Subaru: “Vou levar a sério os elogios de Emilia-tan, mas é assim que as coisas são agora.”
Julius: “Entendo. Por favor cuide-se.”
Subaru franziu as sobrancelhas enquanto Julius se afastava, desinteressado. Enquanto observava os dois de lado, Emilia falou:
Emilia: “Pelo jeito, Julius e os outros não encontraram as escadas também, hein. Nós estamos realmente em apuros.”
Julius: “Eu entendo o ponto de Emilia-sama. No entanto, se formos acreditar que esta biblioteca, de fato, grava os nomes de todos os mortos, do passado até o presente, embora seja bastante difícil de digerir, temo que sozinhos não possamos fazer muito progresso. Precisamos de muito mais reforços, como por exemplo toda a população de um país inteiro, ou algo assim.”
Julius propôs isso com uma cara séria. Subaru não se opôs à ideia da proposta, concordando que tal número era mais ou menos o necessário. As Dunas de areia de Augria já foram conquistadas, e se alguém precisasse chegar até a Torre de Vigia, só precisaria evitar o ninho de Bestas Demoníacas. Isso, por si só, poderia ser uma grande aventura, mas–
Julius: “Ao contrário de antes, o caminho até a Torreé bom eaberto. Eu acredito que vale a pena relatar a existência desta Biblioteca misteriosa para a capital. Poderíamos fazer um uso bem mais eficaz dessa maneira.”
Subaru: “O valor desta informação definitivamente não é nada que se deva brincar. Mas também tenho certeza que muitos fãs de história como você nascerão disso, hein..”
Com as rápidas palavras de fogo de Subaru, Julius parou e, depois de um momento, fechou os olhos e suspirou.
Julius: “…dizer que não estou esperando isso, seria uma mentira. Peço desculpas. Eu tinha um motivo egoísta para essa proposta.”
Subaru: “Vamos, não se abale assim. O que há de errado em ser egocêntrico? Se você está se sentindo tão triste por isso, o que você vai fazer sobre mim? Estou trabalhando apenas para o meu próprio bem, 100% do tempo.”
Era assim que Subaru vivia e se comportava, nunca agindo de acordo com o seu dever, agir assim era seu modo de vida, sua filosofia.
Era por causa disso que ele não podia se comparar a cavaleiros como Julius e Reinhard.
Subaru: “De qualquer forma, não faz sentido se afastar disso. Até porque a razão pela qual Anastasia-san quer se tornar a Monarca é bastante egocêntrica, não é?”
Anastasia: “Sim, isso mesmo. Eu quero me tornar a Monarca porque quero satisfazer a minha ganância. Assim eu posso lucrar muito mais em cima disso. Portanto, isso é tudo o que há de ser feito.”
Anastasia riu do comentário grosseiro e importuno de Subaru e então suavemente acariciou a pele branca de seu cachecol.
Anastasia: “É por isso que eu acho tão divertido o fato de Julius ter se tornado o meu Cavaleiro. Pelo menos, penso assim. É assim também com Emilia-san?”
Subaru: “Pessoalmente, é melhor para nós se os ritmos de vocês não corresponderem com os nossos, então sigam em frente e desmorone–Ai! Emilia-tan, isso dói!”
Emilia: “Não diga coisas malvadas–Eu pessoalmente não conheço Anastasia-san e sua facção, então não posso dizer nada descuidado. Mas, não importa o quão bons sejam meus oponentes, vencerei meu caminho, ao lado de meu cavaleiro.”
Na parte sobre seu cavaleiro, Emilia puxou a manga de Subaru e inchou o peito. Olhando para o rosto dela, Subaru exalou um longo suspiro.
Emilia: “Podemos ser principiantes, mas não vamos perder!”
Subaru: “Ninguém diz ‘principiantes’ nos dias de hoje…Ai! Isso dói!”
Emilia beliscou o braço de Subaru por zombar dela, então ele rapidamente saltou para escapar da punição. Olhando para o comportamento dos dois, as expressões de Julius e Anastasia relaxaram.
Especialmente Julius, que parecia ter deixado de lado o ar de auto-reflexão.
Julius: “Às vezes, eu realmente sinto medo de vocês dois. O quanto é um ato, e o quanto é genuíno, eu nunca consigo dizer.”
Subaru: “Deixando meu caso a parte, Emilia-tan é sempre séria. Isso é o que a torna tão fofa, certo?”
Julius: “Levarei isso a sério.”
Quando Julius levou a mão ao queixo, a conversa desorientada parou. Em vez disso, Anastasia bateu palmas para trazer todos de volta ao assunto.
Anastasia: “De qualquer forma, voltando para onde estávamos…tamo com pouca gente, então você falou em trazer outros de fora, correto?”
Julius: “Sim, é isso mesmo. No momento, como há poucas coisas com o que se preocupar nas Dunas, acredito que seria possível trazer uma grande equipe de investigação para a Torre. Isso não apenas ajudaria a resolver o mistério desta Biblioteca, mas também a ir mais adiante à medida que avançamos…”
Anastasia: “É verdade, mas me sinto um pouco ansiosa.”
Julius: “Ansiosa?”
Cortando o discurso fervoroso de Julius, Anastasia assentiu. Julius franziu a testa quando ela levantou o dedo para apontar.
Anastasia: “Eu mesmo gostaria de receber um aumento nas mãos de obra, tenho me questionado sobre isso. Dar a volta a esta biblioteca está me causando um impacto no pescoço. Sabe, eu sou pequena e tudo mais, por isso é uma verdadeira dor.”
Ela falou enquanto esfregava a nuca,
Anastasia: “Mas, em primeiro lugar, estou me perguntando se é possível colocar muitas pessoas dentro da torre.”
Julius: “――――”
Anastasia: “Pensar no que há de benéfico para a outra parte é um dos princípios básicos dos negócios. Bem, eu posso estar chamando isso de básicos dos negócios, mas será útil, não importa onde você esteja na vida. Então, vamos começar a pensar nesse sentido.”
Julius: “Pensar onde está a outra parte? Mas, quem seria?”
Anastaia: “Aquele que construiu esta torre e montou o Julgamento e deixou para traz Shaula-san…Aquele. Vamos pensar em estar no lugar dele por um momento.”
Subaru: “Pensar na porcaria da personalidade dele?”
Anastasia: “Sim, acho que ele está completamente fora de si.”
Quando os lábios de Subaru se torceram, Anastasia acenou afirmativamente.
Ao ouvir essas palavras, os sempre sérios Emilia e Julius endureceram, e levando em conta o quão distorcidas eram as personalidades de Subaru e Anastasia, ambos pareciam estar em perfeita sincronia.
A opinião de Anastasia parecia ser o caso mais aparente, se a pessoa com a horrível personalidade realmente tentasse aumentar a dificuldade de conquistar a Torre.
Subaru: “Shaula! Tenho algo para perguntar. Venha aqui.”
Shaula: “Mestre? Sim, sim! Estou chegando imediatamente!”
Uma vez chamada, Shaula saltou do outro lado da grande estante.
Com os braços estendidos, e com seu longo rabo de cavalo esvoaçante sob o ar, ela sorriu enquanto pulava em direção ao peito de Subaru,
Shaula: “Mestre!”
Subaru: “Não.”
Shaula: “Ughyah!”
Com um passo ágil, Subaru se esquivou do abraço que se aproximava. Como Shaula ainda estava suspensa sob o ar, ela mergulhou de cara no chão, com os braços abertos. Ela rapidamente se virou para lançar um olhar para ele.
Shaula: “Uuu…o Mestre é super malvado.”
Subaru: “Não, não, eu não me afastei porque era você, mas sim porque você ia colidir com força total, então meus reflexos reagiram.”
Shaula: “Então vai me deixar te abraçar se eu for até você devagarinho!?”
Subaru: “Eh? Não quero.”
Shaula: “Por que não!? Que parte de mim está faltando! Mesmo que eu seja tão glamourosa! Mesmo que eu seja uma safada mal-intencionada!”
Subaru: “Você é uma safada, hein…Então é por isso.”
Lamentando-se no alto de sua voz, Shaula irritou-se com a atitude fria de Subaru. E, enquanto ela fazia beicinho, duas pequenas garotas vieram de onde ela havia saltado.
Eram Beatrice e Meili, que precediam a sua aparência, era de fato, uma interação incomum.
Como se percebesse os pensamentos de Subaru através de seu olhar, ou talvez percebendo por conta própria, Beatrice colocou um pouco mais de distância entre ela e Meili.
Beatrice também se comportou assim com Petra, embora fossem mais ou menos da mesma idade (externamente). Ela manteve uma linha clara entre ela e Meili.
Claro, seria impossível para ela tratar Petra e Meili da mesma forma. Petra era uma aliada da mesma facção, enquanto Meili foi originalmente enviada por alguém de algum lugar como assassina, que estava envolvida no incêndio da Biblioteca Proibida e da Mansão de Roswaal.
Subaru: “Você sabe que se continuar se afastando das pessoas assim, nunca fará amigos.”
Beatrice: “Do que você está falando, eu suponho? De qualquer forma, Shaula desapareceu no meio da conversa, então decidimos voltar silenciosamente, na verdade.”
Subaru: “Ah, eu arruinei a conversa ali, meu mal, meu mal, sinto muito. Bem, vocês conseguiram encontrar alguma coisa?”
Beatrice: “…Não havia nada em particular, eu suponho. E pensando bem, talvez nem valesse a pena te chamar para ter uma conversa, na verdade. Sim, acredito que isso é tudo.”
Subaru: “――?”
Virando o rosto, Beatrice interrompeu a resposta da pergunta de Subaru.
Antes que o alienado Subaru pudesse questionar sua atitude fria, Shaula voltou ao seu estado habitual.
Ela ficou de pé e,
Shaula: “Bem, o mestre ser mau não é novidade. Eu posso me recompor sozinha. Me recuperar rapidamente é um dos meus pontos fortes.”
Julius: “Isso, junto com sua cooperação, Srta. Shaula, é algo que nos ajuda muito. A propósito, posso perguntar uma coisa?”
Shaula: “O que seria? Vou avisá-lo de antemão, não vou me apaixonar por alguém que não seja o Mestre.”
Julius: “Eu admito que você é uma mulher atraente, mas temo que terei que adiar o nosso encontro por enquanto. Eu gostaria de perguntar e confirmar algumas coisas sobre esta Torre.”
Julius acrescentou com elegância doces palavras, que com bom gosto evitou completamente o assunto. Isso surpreendeu Shaula, que se gabava de ser teimosa pra caramba. Como ela não esperava tal resposta, seus olhos se arregalaram, algo que era muito diferente de seu eu habitual, e humildemente deu um “Hum, claro”.
Julius: “Meus agradecimentos. Então em primeiro lugar…você sabe a localização das escadas para o 2° andar?”
Shaula: “As escadas para o 2° andar, ‘Electra’? Nenhuma pista. Nunca subi além do 4° andar, então não sei.”
Julius: “Isso por si só é uma afirmação chocante.”
Se ela realmente fosse de confiança, então Shaula estava na Torre de Vigia por cerca de 400 anos.
Se, nesse período, ela não tinha saído para explorar a Torre em que morava e em vez disso se concentrou em manter as Dunas de Areia sob observação, então ela era realmente muito leal ao que seguia.
Francamente, Subaru se sentiu muito em conflito ao ser confundido com o mesmo Mestre.
Anastasia: “Julius, posso te interromper por um momento?…”
Desta vez, tomando o lugar de seu cavaleiro, era Anastasia. Em pé na frente dela, os olhos azuis claros de Anastasia refletiam a figura de Shaula.
Anastasia: “Então a posição de Shaula-san é essa, certo? Para ser mais exato, você é a vigia da Torre…Não da Grande Biblioteca das Pleiades, certo?”
Shaula: “Eeee~xatamente.”
Anastasia: “Entendo. Então, de acordo com meus cálculos…São quatro, não, cinco?”
Anastasia levantou a mão direita para mostrar cinco dedos. Shaula, que não conseguia compreender aonde ela queria chegar, simplesmente olhou para ela e piscou.
Anastasia: “――Os segredos que Shaula-san teve que guardar, para proteger esta Torre, são cinco, certo?”
Shaula: “――――”
Anastasia sorriu amplamente quando Shaula ficou em silêncio, sem palavras.
Enquanto as duas olhavam uma para a outra, olho no olho, bastava apenas um leve puxão de seus ombros para dizer a Anastasia que ela estava completamente correta.
Shaula: “Em primeiro lugar, eu gostaria de adiantar que eu não estava escondendo nada. Só não disse porque não me perguntaram. Eu quero isso anotado no papel, por favor.”
Subaru: “Apenas nos conte tudo de uma vez.”
Enquanto Anastasia trouxe seu segredo à tona, Subaru esmagou as poucas desculpas que Shaula estava tentando dar.
Em resposta ao seu comportamento forçado, Shaula fechou a mão e apertou os dedos com força e respondeu:
Shaula: “Por exemplo, se o Mestre e os outros tentassem secretamente sair da Torre, eu teria que matar todos, sem a menor piedade.”
Subaru: “O caramba, o que há de errado com você assim de repente!?”
Shaula: “Eu não iria fazer isso por vontade própria! Estamos apenas falando sobre ‘e se’. E em primeiro lugar, eu não posso ir contra essa ordem.”
Com a revelação repentina de súbita intenções hostis, Subaru olhou atentamente para Shaula, que se encolheu enquanto balançava a cabeça. Com o peito abundante pressionado contra os joelhos, ela se enrolou como se fosse uma bola.
Shaula: “Em primeiro lugar, nem mesmo eu posso matá-lo, Mestre. Eu seria morta antes mesmo que isso acontecesse, e no final tudo isso acabaria, toda a ordem de acontecimentos está bagunçada…”
Subaru: “Se você é realmente contra isso, porque apenas não…? A menos que, espere, você não vai me dizer que tudo isso é por causa de um contrato, não é?”
Sentindo algo estranho, Subaru deixou essas palavras saírem de seus lábios.
Em primeiro lugar, se alguém pensasse na identidade de Shaula, ficaria muito claro. Por 400 anos, no lugar do Sábio, ela viveu na Torre, observando o Selo da Bruxa como vigia da Torre.
Levando em consideração esse papel, e tendo atuado sobre ele nos últimos séculos, nem seu estilo de vida e nem seu tempo de vida eram humanos.
Subaru: “Você é um espírito como Beako?”
No lugar de uma promessa falsa, Beatrice foi trancada dentro da Biblioteca Proibida por 400 anos.
Se, assim como ela, Shaula passou os últimos 400 anos atacando qualquer um que ousasse se aproximar da Torre de Vigia, esperando por aqueles que preenchessem as condições, então possivelmente, ela e Beatrice eram o mesmo tipo de existência.
Shaula: “De jeito nenhum! Não vou suportar ser comparada a essas bolas de penugens fofas chamadas de espíritos. Eu absolutamente me recuso…Os olhos de todos parecem bem assustadores de repente!”
Subaru: “Isso porque 80% de todos os presentes aqui estão relacionados aos espíritos!”
Do jeito que estava, contando também os amadores, havia três Usuários Espirituais. Além disso, uma jovem em particular era um Espírito, e também havia outra que estava possuída por um Espírito Artificial. As únicas que não tinham relação com os espíritos eram as irmãs Oni que os aguardavam no andar de baixo, e a garotinha que por algum motivo estava olhando para Shaula com uma expressão maliciosa, Meili. Nada do que Shaula disse agradou aqueles que estavam presentes.
No entanto,
Subaru: “Vamos deixar isso de lado
De qualquer forma, o que diabos é você? Se não é um espírito, então não vejo um porque de você manter tão desesperadamente seu Contrato.”
Emilia: “O que você está dizendo, Subaru? Mesmo que você não seja um Espírito ou um Usuário Espiritual, se você fizer uma promessa, terá que cumpri-la. Promessas são importantes. Agora, repita depois de mim.”
Subaru: “Não, espera, isso foi um erro de minha parte. Foi apenas uma figura de linguagem e…”
Emilia: “Vamos, diga, promessas são importantes. Três vezes.”
Subaru: “Promessas são importantes. Promessas são importantes. Promessas são importantes.”
Sendo inesperadamente repreendido por Emilia, ele repetiu as palavras ditas três vezes para obter o perdão dela.
De qualquer forma, tanto a interação involuntária de Emilia e Subaru, e a atitude estritamente obstinada de Shaula, foram difíceis de entender pelos outros da conversa.
Não se tratava simplesmente de uma questão de senso de dever confuso.
Julius: “O mais importante agora é sabermos sobre as ordens que a Srta. Shaula recebeu. É um mau hábito seu desviar o assunto da conversa. Esteja ciente disso.”
Subaru: “Como se tudo isso fosse culpa minha… Tudo bem! A culpa foi toda minha! Admito que foi, agora ignore e deixe isso de lado, maldito seja!
Shaula: “Uau, isso é totalmente um enorme surto de emoções, mas isso é esperado do Mestre! Então eu vou falar!”
Para Subaru, que se aproximou com uma expressão desanimada e azeda no rosto, Shaula sorriu. E então, ela limpou a garganta, e de uma maneira estranhamente decente, “Agora então”, ela abriu a boca,
Shaula: “Eu humildemente falarei das ordens que me foram dadas. Primeiro, nunca devo deixar o desafiante sair da Grande Biblioteca das Plêiades.”
Subaru: “De repente ficamos presos aqui!”
Shaula: “Está tudo bem! Há uma saída adequada! Contanto que você enfrente devidamente o Teste da Grande Biblioteca e alcance o 1° Andar ‘Maia’, não há com o que se preocupar.”
Shaula disse enquanto levantava o polegar para cima.
Shaula: “A propósito, se esta condição for violada, eu imediatamente me transformarei em uma máquina de matar a sangue frio, e então isso invalidará minha promessa com o Mestre. Portanto, eu serei um obstáculo em seu caminho.”
Subaru: “Então isso tem uma prioridade maior do que a minha promessa, hein? Meio que me machuca.”
Shaula: “Ooo–e pensar que consegui machucar o Mestre, realmente devo ter ficado mais forte~! Isso é claramente uma evolução! São os frutos de 400 anos!”
Subaru: “Estou brincando!”
Shaula: “Eu também!”
Depois de se entregarao vai e vem da conversa, Shaula levantou um segundo dedo e acenou a cabeça e disse:
Shaula: “Continuando, bem, na verdade estou ficando cansada disso, então vou me apressar. Primeiro, é proibido sair sem completar o Teste. Segundo, é proibido quebrar as regras do Teste. Terceiro, é proibido desrespeitar a Biblioteca. Quarto, é proibido tentar destruir a Torre. Quinto, ah–, quinto é…Oh. Não há uma quinta regra.”
Emilia: “Tudo isso revelam as quatro regras, mas…”
Absorvendo as explicações mastigadas de Shaula, Emilia se virou para Subaru e os outros. As ansiedades e os medos que ela adquiriu, foram os que Subaru também entendeu.
As regras que Shaula falou eram, em pouco caso, fáceis de aceitar, mas havia declarações curiosas misturadas a serem observadas. O problema era especialmente com,
Subaru: “Estou realmente muito curioso sobre a parte onde ‘É proibido violar as regras do Teste.”
Julius: “Parece que é uma regra oculta que desconhecemos.”
Julius concordou com Subaru, que tocou seu queixo, perdido em seus pensamentos.
Pelo menos, durante o Teste do 3° Andar, na Biblioteca de Taygeta, Subaru e companhia, não receberam nenhuma informação sobre as Regras durante o mesmo, e não enfrentaram nenhum problema com o Monólito e seu Asterismo.
E vale relembrar que, no momento em que alguém tocou no Monólito errado, eles foram desqualificados.
Anastasia: “Regras, regulamentos… todos eles parecem ser más notícias, pelo menos para mim.”
Emilia: “A ‘Provação’ no Túmulo seria encerrada em um dia caso o desafiante não passasse. Parece um pouco semelhante enquanto refaziamos o ‘Teste’ anteriormente, então talvez…”
Naquele instante, Emilia se conteve e mordeu os lábios. Seus trêmulos olhos roxos se dirigiram em direção a Subaru, que deu um leve aceno de cabeça.
Subaru: “Se você tem alguma coisa em mente, agora é a melhor hora para falar. Não se preocupe, não vou tirar sarro e rir de você, não importa o que você diga.”
Emília: “Hmm, eu sei. Hum, mas veja bem, Subaru e Anastasia-san estavam dizendo que a pessoa que fez esta Torre é realmente má…certo?”
Subaru: “Sua escolha de palavras está se tornando muito fofa, mas é isso mesmo. E o que tem isso?”
Emilia: “Pensar no ponto de vista da outra parte também é importante. Em outras palavras, se você tentar olhar da perspectiva das palavras de Shaula, enquanto imagina como aquela pessoa realmente se sente, é como se…,”
Quando os olhares de todos se voltaram para Emilia, ela lambeu os lábios nervosa, depois bateu palmas e apontou para o teto.
Emilia: “Existem regras que temos que seguir, mas não sabemos quais são essas regras… Isso é realmente mau e cruel, não é?”
Subaru: “Então, em outras palavras…”
Emilia: “Temos que imaginar quais seriam essas regras e seguir em frente sem quebrá-las.”
“――――”
Os rostos de todos se contraíram de ansiedade com as palavras de Emilia.
E em resposta a essas reações, os longos cílios de Emilia franziram quando ela olhou para baixo.
Emilia: “Eu sinto que Echidna faria algo desse tipo.”
Subaru: “…Emilia-tan, imaginar que pensaríamos na mesma pessoa quando se trata de personalidades ruins. Nós pensamos da mesma forma.”
Essa única frase, no mínimo, deu um pouco mais de credibilidade aos pensamentos que Subaru tinha sobre Echidna.
Ele sentiu que seus pensamentos estavam quase certos em relação a dona da personalidade maliciosa que Emilia acabará de mencionar.
Estabelecer regras que não deveriam ser quebradas, mas não dizer ao próprio Desafiante o conteúdo das regras.
Era uma disposição bastante desagradável.
Subaru: “A propósito, é você quem vai julgar se as regras estão sendo infringidas ou não?”
Shaula: “Você está pegando o jeito. Meu dever para com todas as coisas que acabei de dizer, é apenas julgar se houver alguma violação delas. Não tem absolutamente nenhuma maneira de me enganar. Vale tanto para o Mestre quanto para seus amigos.”
A voz mansa expressou um poder misterioso na última metade de suas palavras.
Essa não era a destreza física de Shaula, mas sim o oposto.
――Parecia que havia alguém muito mais forte do que Shaula, fazendo ela agir assim.
Subaru: “Já era uma piada ruim, mas agora outra piada ruim foi empilhada em cima de outra. É tarde demais de qualquer forma.”
Julius: “Às vezes, sinto inveja do jeito frívolo que você fala.”
Julius suspirou enquanto falava. Olhando para seu elegante e belo perfil, Subaru deu de ombros.
Julius: “Talvez seja pela forma como você está sempre olhando para longe, que desenvolveu tal personalidade. Se for assim, então temo que nunca serei capaz de adquirir tal experiência.”
Subaru: “Você precisa ter mais medo do que está ao redor dos seus pés. Você vai acabar batendo o dedo do pé no canto de uma mesa. Eu realmente espero que isso aconteça.”
Anastasia: “Sim, sim, bons amigos que são bons em discutir e tudo mais, mas não vamos nos esquecer do nosso tópico principal.”
Interrompendo Julius e Subaru, Anastasia se aproximou de Shaula para observá-la de perto.
Subaru: “Isso é realmente tudo que existe? Está tudo bem agora, certo?”
Shaula: “Juro por Deus não estar mentindo dessa vez. Além disso, desde que as regras não sejam violadas, meu corpo ainda será meu. Não espere, isso está errado. Ainda continuará sendo do Mestre.”
Subaru: “Não quero isso.”
Shaula: “Fui rejeitada! Mas, meu coração está sempre com o Mestre!”
Subaru: “Não quero isso também.”
Com as mãos na cintura, Anastasia reconfirmou tudo o que Shaula havia falado em resumo, com algumas palavras desnecessárias adicionadas por Shaula, ao lado de sua própria posição nos eventos recentes.
Demorou um pouco, mas conseguiu confirmar que a promessa que Subaru fez com ela, de não prejudicar ele e aos seus amigos, permaneceu intacta, e planejava mantê-la.
É claro, com a condição de que nenhuma das regras fossem quebradas.
Emilia: “De qualquer forma, pensar que não podemos sair a menos que completemos o Teste…isso está sendo muito parecido com a Provação do Túmulo no Santuário.”
Subaru: “Não acho, na pior das hipóteses, desde que a gente consiga vencer isso aqui, todos nós poderemos ir para casa, certo? Isso é muito mais fácil do que o Teste do Túmulo.”
Shaula: “O Mestre nunca faria algo assim! Ele sempre foi o mais gentil de todos! E tinha o maior coração de todos os tempos! Uwah, meu corpo está formigando porque eu menti!”
Shaula agitou-se, colhendo o que plantou, enquanto Emilia e Subaru observavam com expressões desapontadas.
Por enquanto, isso foi tudo o que eles conseguiram de Shaula.
Meili: “Vocês já terminaram de conversar? Já posso subir na Onee-san mal vestida agora?”
Subaru: “Nós terminamos, nós terminamos. Vá em frente. Faça o que você quiser. Espere, você já ficou super apegada a ela.”
Julgando que toda a conversa havia terminado, Meili, que ficou de fora da conversa, correu até Shaula e subiu em cima de seus ombros.
Aquele era o lugar onde Meili se sentiu mais confortável, desde que chegou à Torre. Para Shaula, que conseguiu levantar a carruagem do dragão com as mãos como se não fosse grande coisa, Meili deveria ser tão leve quanto uma pena.
Meili: “Sempre que estou com Onee-san, me sinto um pouco mais segura.”
Shaula: “Bem, eu não penso muito nisso. Eu também consigo cuidar muito bem da anã de jardim número dois.”
Subaru: “Número dois?”
Shaula: “Anã de jardim número dois é esta aqui, e a número um é aquela ali.”
Com Meili ainda de costas, Shaula apontou para Beatrice sendo ela a número um.
Beatrice não respondeu ao comentário depreciativo e bobo de Shaula. Normalmente, conhecendo sua personalidade, em instantes ela teria a atacado com força total, com o rosto vermelho e inchado.
Subaru: “Espere um segundo, ela já não fala há algum tempo. Está tudo bem?”
Beatrice: “――――”
Subaru: “Beako? Ei, Beatrice. Vamos lá, preste atenção. Eu vou beijar sua testa se você não me ouvir.”
Beatrice: “…faça o que quiser, de fato.”
Subaru: “――――”
Como se não escutasse, Beatrice respondeu apática. Achando isso sem graça, Subaru franziu a testa.
E então,
Subaru: “Mwah–”
Beatrice: “Gyah— suponho!?”
Sentindo-se um pouco irritado, ele realmente beijou a testa dela. Logo em seguida, Beatrice caiu em si, cobriu a testa e saltou para longe. E então tropeçou, se levantou e tropeçou novamente.
Subaru: “Você está exagerando…”
Beatrice: “O quê, o quê, o quê você pensa que está fazendo assim de repente, na verdade!? Sua linha de raciocínio não faz sentido, suponho!”
Subaru: “Minha linha de raciocínio faz todo o sentido. Até consegui a sua permissão para beijá-la. Você realmente está bem?”
Sentindo-se um pouco magoado com a forma como ela esfregou desesperadamente a parte onde ele havia beijado, Subaru se preocupou com a garotinha.
Parando para pensar um pouco, esta Torre, um lugar com uma história sombria, estava no meio das Dunas de Areia. Subaru não compreendeu muito bem, mas havia algum tipo de Miasma fluindo pela região, então essa deve ser a causa do mau humor de Beatrice.
Subaru: “Se você não está se sentindo bem, basta segurar a minha mão. Você se sente melhor assim, não é?”
Beatrice: “Isso é impossível, não vai acontecer, de fato! Dê-me um pouco mais de tempo para conseguir me acalmar, eu suponho!”
Com o rosto vermelho como se fosse uma beterraba, Beatrice gritou com Subaru, e então, com essa resposta ele se virou com um encolher de ombros. O fato de ela ter se recusado a dar as mãos foi um pouco chocante, mas o resto de sua atitude era habitual.
Se houvesse algo realmente preocupante com ela, ele perguntaria novamente mais tarde quando estivessem a sós.
Subaru: “Bem, então, o problema agora é…”
Julius: “Que no final das contas, não temos escolha a não ser vasculhar o desconhecido em busca das escadas para o 2° andar.”
Julius terminou a frase de Subaru quando os dois se viraram para observar as estantes mais uma vez.
A razão pela qual eles pareciam desanimados era porque eles precisavam de um pouco mais de mão de obra para lidar com toda essa situação, mas por conta das ordens que Shaula havia recebido, eles tiveram que desistir do pensamento de chamar por ajuda.
Se eles não conseguissem superar o Teste, então não teriam permissão para sair da Torre. E naturalmente, não poderiam ir além das Dunas de Areia para conseguir ajuda.
Em última análise, não havia outra escolha a não ser continuar a busca apenas com os membros presentes.
Subaru: “Você acha que vai conseguir se eu disser, ‘É como procurar um único grão de ouro em uma montanha de areia’?”
Julius: “Falar isso com palavras tão poéticas não combina com você. No entanto, posso honestamente concordar com elas.”
Por mais raro que fosse, diante do grande obstáculo que os obstruía, Subaru e Julius se davam bem.
Nada poderia ser feito com muita demora, então eles se prepararam para mergulhar mais uma vez no mar de livros para encontrar alguma pista que os levasse ao caminho para o próximo andar, era o que eles haviam decidido quando,
Emilia: “Eei, eu pensei um pouco nisso,e,”
Emilia levantou levemente a mão, interrompendo os dois que estavam voltando para a Biblioteca.
Ela inclinou a cabeça para eles, colocou um dedo nos lábios e disse:
Emilia: “Eu pensei em como a pessoa que construiu esta torre tem a personalidade desonesta, não é?”
Eu pensei na pessoa que construiu essa torre, e sua personalidade é realmente um pouco desonesta, não é?
Subaru: “Sua escolha de palavras está se tornando cada vez mais adorável, mas é isso mesmo. E então?”
Reunindo tudo o que havia sido discutido na conversa anterior, Emilia acrescentou um “Então”, e continuou,
Emilia: “A escadaria, acho que ela pode estar naquele lugar――”
Subaru: “Vou dizer novamente. O cara que construiu esta Torre tem a personalidade mais merda de todos os tempos!”
Enquanto estava de pé, diante da longa e sinuosa escada que levava ao 2° andar Electra, Subaru cuspiu vários insultos.
A escadaria que levava ao 2° andar, o lugar que Emilia havia pensado, era――、
Emilia: “Achei que estaria nos lugares onde não tínhamos olhado ainda, como no 4° e 5° andar.”
Emilia falou, sentindo-se inquieta, mas um tanto perplexa.
Seu palpite foi certeiro. A escada surgiu bem ao lado da Sala Verde, onde Rem e Ram os esperavam, em um espaço anteriormente branco e vazio.