―Zikr Osman, General de Segunda Classe do Sacro Império de Vollachia, era conhecido como o Mulherengo.
Havia muitos termos que poderiam descrevê-lo: devasso, lascivo, obcecado por sexo.
Para um soldado imperial, alguém que deveria ser um exemplo de força e conquistar o respeito de seus camaradas, eram termos bastante vergonhosos.
Mas Zikr Osman apreciava ser conhecido como o Mulherengo.
―Não, seria justo dizer que ele se orgulhava desse título.
Por quê?
Porque Zikr odiava o apelido que lhe deram antes de ser chamado de Mulherengo.
Para um soldado, carregar tal apelido era uma humilhação insuportável. Por isso, ele exibia o título de Mulherengo com orgulho, fazendo seus companheiros esquecerem o outro apelido.
Ainda assim, o significado por trás de Zikr ser chamado de Mulherengo era bem diferente dos sedutores convencionais ou dos vícios dos homens que desprezam as mulheres.
A família Osman vinha de uma longa linhagem de soldados, mas na geração de Zikr algo havia mudado: por algum motivo, a família só teve filhas.
Nascido e criado em um ambiente cercado por quatro irmãs mais velhas e seis mais novas, Zikr cresceu sem nem sequer um irmão.
Cercado de irmãs por todos os lados, como a maioria das pessoas, Zikr desenvolveu inúmeras noções preconcebidas sobre mulheres.
Mas, ao contrário da maioria, que perde suas ilusões por causa da convivência com membros femininos da família, Zikr idealizou ainda mais as mulheres de fora de seu círculo familiar.
Quando finalmente se separou de suas irmãs, que se despediram com tristeza do irmãozinho adorável e gentil, Zikr começou sua carreira como soldado imperial muito jovem. Foi seu primeiro contato com mulheres fora de sua família ――e ele sucumbiu.
Desde então, as mulheres se tornaram para Zikr Osman algo como um sonho efêmero: uma existência entre o ideal e a realidade, um fruto proibido misturado com amor e ódio.
Criado sob a influência de uma família dominada por mulheres, Zikr nutria um desejo ardente de tratá-las bem e ser tratado da mesma forma por elas. Para ele, servir e ser servido por mulheres era o maior dos prazeres ――e ele transformou isso em prática.
Essa atitude era incomum no Império, onde a força dominante dos homens prevalecia. Essa diferença, combinada com a inveja e o desprezo por suas táticas precisas e vitórias seguras, acabou por lhe render o título de “Mulherengo”.
Mas, como dito no início, Zikr Osman gostava desse apelido.
“Mulherengo”. Não era um título maravilhoso? Afinal, havia mais homens que gostavam de mulheres do que os que não gostavam. Isso lhe dava oportunidades de conversar com muitos oficiais.
A postura de Zikr era clara, sem deixar dúvidas, e seus subordinados, conhecendo bem o gosto de seu superior, o admiravam como o Mulherengo e o respeitavam.
―“Mulherengo”. Não era, de fato, esplêndido?
Zikr Osman era o homem que havia alcançado o posto de General de Segunda Classe do Império, mesmo com tal apelido.
Com o Imperador destituído de seu trono, para sufocar sua influência, os oponentes políticos haviam escolhido o melhor dentro de seus domínios. E esse homem não era outro senão ele.
Certamente, o General ameaçador chamado Mulherengo, Zikr Osman.
Desde o começo, Zikr teve a sensação de que havia algo estranho nessa expedição.
Os exercícios militares eram realizados anualmente nos arredores da Selva de Buddheim, na parte leste do Império. Mas, naquele ano, tinham acontecido mais cedo e, além de Zikr, apenas uma parte dos oficiais comissionados tinha sido informada sobre o propósito da expedição―― negociações com o povo de Shudrak.
Zikr: “O povo de Shudrak escondido em Buddheim…”
Um povo indígena que vivia na Selva de Buddheim, a tribo era conhecida por sua longa história.
Também eram famosos por nunca saírem daquela densa selva, e Zikr jamais tinha se deparado com eles pessoalmente. Mas tinha ouvido falar que eram uma tribo matriarcal e desejava encontrá-los pelo menos uma vez.
Vivendo nas profundezas da selva, a maneira como capturavam homens de fora para usá-los como ferramentas de procriação também o intrigava. Provavelmente, eram todas mulheres fortes e indomáveis, ele pensou.
Mulheres eram algo único. Fortes ou frágeis, gentis ou severas, todas tinham suas nuances.
Afinal, não era justo colocá-las no mesmo saco. Tanto irmãs mais velhas quanto mais novas tinham momentos em que eram doces e momentos em que eram ríspidas, momentos em que eram doces e momentos em que eram amargas.
Se uma única mulher exibia tal esplendor caleidoscópico, como poderia alguém pensar em agrupar várias mulheres juntas?
Portanto―,
Zikr: “Fazê-las jurar lealdade ou destruí-las… O que a Capital Imperial está pensando?”
Essa era a ordem secreta que Zikr havia recebido a portas fechadas antes de partir para a expedição.
A mensagem vinda da Capital Imperial, Lupugana, afirmava que o verdadeiro propósito dessa expedição era conquistar o povo de Shudrak ou aniquilá-los. Ele tentou confirmar que não havia nenhum engano, mas a resposta da Capital Imperial permaneceu imutável, e Zikr não teve escolha senão cumprir a ordem.
No entanto, ele tinha ouvido rumores de que algum tipo de problema estava se formando na Capital Imperial, então imaginava que isso tinha algo a ver com o propósito dessa expedição em particular.
Isso ficava claro pelo fato de que os soldados comuns haviam recebido ordens para executar o plano sem que soubessem o verdadeiro objetivo da expedição. ―O que Sua Excelência, o Imperador, estava pensando, Zikr não tinha ideia.
Zikr: “Mas então, ninguém consegue ler as intenções mais profundas daquele cavalheiro, não é?”
―O Septuagésimo Sétimo Imperador do Sacro Império de Vollachia, Vincent Vollachia.
Esse era o nome daquele que governava esse Império, o homem mais sábio de sua época, que nunca permitia que os outros entendessem a profundidade de seus pensamentos.
No Palácio de Cristal, na Capital Imperial de Lupugana, Sua Excelência, o Imperador, era considerado capaz de ter uma visão clara de todo o vasto Império. Embora Zikr fosse um General de Segunda Classe, seu posto era distante da Capital Imperial, e ele tinha poucas oportunidades de ver o rosto do imperador. Ainda assim, sua genialidade e fama atravessavam distâncias e chegavam aos ouvidos de Zikr.
Dentro de uma sociedade imperial onde os fortes devoravam os fracos, escalar ambiciosamente era visto como inevitável.
Em um mundo onde vários clãs e regiões se revoltavam, e as brasas da insurreição se acendiam diariamente, Vincent esmagava todos os problemas antes que se transformassem em um incêndio descontrolado.
Nos oito anos desde o início de seu reinado, o Império de Vollachia havia se tornado surpreendentemente pacífico.
Sangue foi derramado, chamas foram atiçadas e vidas foram perdidas.
E ainda assim, esses eram os dias mais tranquilos desde a fundação do Império de Vollachia.
Portanto, essa abordagem completamente rigorosa em relação ao Povo de Shudrak fazia Zikr franzir a testa.
Embora fosse um filho perfeito da batalha, Sua Excelência, o Imperador, evitava conflitos em alguns aspectos. Não era que ele detestasse a guerra, mas a considerava uma tolice, e era essa a razão por trás de suas decisões. Essa era a suposição que Zikr tinha formado por conta própria.
Talvez esse sentimento fosse devido à impressão de que havia sido traído?
???: “Não, não é isso, General de Segunda Classe Zikr. Eu entendo o que o senhor está pensando. Sou apenas um soldado comum, mas também tenho que considerar todo tipo de coisa.”
Disse um dos soldados comuns, ouvindo-o com um sorriso encantador.
Eles estavam tendo um momento em uma taverna enquanto estavam estacionados na Cidade Fortaleza de Guaral, onde a expedição tinha sua base. Nas noites em que Zikr não passava com mulheres, ele gostava de beber com seus subordinados dessa maneira. E, além disso, preferia beber com soldados comuns de baixa patente, em vez de uma comitiva de oficiais de alta patente ou Generais de Terceira Classe.
É claro que a maioria dos soldados não fazia muita questão de beber com seus superiores.
Ainda assim, Zikr apreciava esses rituais sempre que saía em expedições, pois permitiam que ele entendesse melhor os pensamentos e preferências dos subordinados que o acompanhavam. Contudo, naquela noite, talvez ele tivesse falado mais do que deveria.
O soldado que bebia com ele naquele dia era incrivelmente falante, do tipo que adorava conversar.
Enquanto bebiam, o homem não parava de olhar ao redor, cheio de curiosidade. Quando Zikr perguntou o que passava pela cabeça dele, o soldado brincou, dizendo que estava imaginando o que aconteceria se a taverna se tornasse um campo de batalha.
Era uma postura de constante prontidão para o combate, sem qualquer timidez diante da companhia de um superior. Essa mentalidade imperial, aliada à sua afeição pessoal pela humanidade, o levou a falar coisas que talvez devesse ter guardado para si.
Embora ele não tivesse declarado abertamente as ordens secretas sobre o Povo de Shudrak, e mesmo sem ser explícito, Zikr teve a sensação de que sua mensagem ficou clara para o ouvinte.
Se aquele homem fosse um espião de outro país, Zikr teria sido executado por tal deslize.
Soldado: “Não se preocupe, amanhã mesmo estarei na linha de frente por sua ordem, senhor… Sério, tenho certeza de que os superiores têm seus motivos, mas isso não é da minha conta.”
À medida que a embriaguez se dissipava e Zikr recobrava os sentidos, o soldado falava como se tentasse tranquilizá-lo.
E, como prometido, no dia seguinte, o soldado partiu para o acampamento da expedição nas linhas de frente, adjacente à Selva de Buddheim.
Essa partida foi confirmada, e, permanecendo na cidade, Zikr sentiu um peso de inquietação crescer em seu peito.
Apesar da ordem direta da Capital Imperial para uma abordagem absolutamente rigorosa em relação aos Shudrakianos, que exigia subjugação ou morte, Zikr pretendia apostar numa solução pacífica.
Era nisso que ele depositava sua fé e que julgava estar mais próximo das convicções de Sua Excelência, o Imperador.
No entanto―,
Zikr: “―O acampamento foi incendiado num ataque dos Shudrakianos?”
Recebendo a inesperada notícia na prefeitura requisitada, Zikr ficou estupefato.
Até a noite anterior, ele ainda planejava fazer tudo ao seu alcance para conquistar o Povo de Shudrak sem recorrer à violência.
O acampamento fora montado para cercar o lado oeste da Selva de Buddheim, mas, quando alguns membros do Povo de Shudrak atacaram, os soldados imperiais foram totalmente derrotados, sem conseguir sequer reagir.
Os que tentaram fugir foram atingidos pelas costas, ampliando ainda mais as perdas, que ultrapassaram cem baixas.
Zikr: “Isso é ridículo…”
Se estava reclamando de suas próprias decisões, das ações dos Shudrakianos ou simplesmente da cruel realidade, nem ele mesmo sabia ao certo.
O que era certo, no entanto, era que o plano amigável que ele havia idealizado ruíra, e o Povo de Shudrak se tornara inimigo não apenas de seus soldados imperiais, mas também de Sua Excelência, o Imperador.
Zikr: “É uma situação vergonhosa, mas aguardaremos reforços da Capital Imperial e derrotaremos os insurgentes da Selva de Buddheim.”
Após receber os soldados que haviam escapado por pouco do ataque dos Shudrakianos, e organizar a aparência de uma força expedicionária, Zikr tomou essa decisão.
Havia a alternativa de invadir a selva e lutar com as forças atuais, mas a floresta densa era o domínio daquelas mulheres, que facilmente neutralizariam uma vantagem numérica superficial.
Para garantir a vitória, não bastava uma vantagem simples, era necessário um poder esmagador.
Além disso, deixariam de lado qualquer tentativa de negociação, focando apenas na aniquilação completa com tropas de elite.
Zikr: “Tolamente, elas recusaram a mão que lhes foi estendida em paz. Sendo assim, devemos agir com lealdade a Sua Excelência, o Imperador, e trazer uma retribuição mortal aos insurgentes, sem exceção.”
Com isso, ele endureceu seu coração. Mesmo a calorosa natureza de Zikr Osman, conhecido como o Mulherengo, foi apagada.
Ainda que o adversário fosse o matriarcal Povo de Shudrak, cada fragmento daquele sangue deveria ser eliminado para não representar ameaça no futuro.
Por esse motivo―,
Zikr: “Não baixem a guarda ao fechar o portão principal. Dizem que a especialidade dos Shudrakianos são os arcos, mas eles não atravessarão as muralhas da Cidade Fortaleza. Não deem brechas para que consigam passar.”
Ele reuniu informações com os soldados que haviam retornado, sobre como as linhas de frente do acampamento haviam sido destruídas pelo fogo, e, ciente de que o incêndio fora causado por poucas pessoas, decidiu adotar uma postura de defesa total.
Sabendo do estilo de vida dos Shudrakianos, era difícil imaginar que o número total do povo fosse alto, e parecia improvável que todos pudessem lutar, incluindo crianças e idosos.
Estimando que a força de combate fosse de, no máximo, cem pessoas, eles só poderiam recorrer à escuridão da noite para ataques surpresa.
Mas, ainda assim, ataques preventivos só funcionariam contra adversários que tivessem baixado a guarda.
Zikr: “Certifiquem-se de tapar cada brecha! Mesmo as muralhas da Cidade Fortaleza não são totalmente sólidas. Com sua longa história, imagino que existam passagens secretas para fora dos portões. Não deixem nada passar despercebido!”
???: “Sobre isso, senhor. Alguns soldados que retornaram do acampamento incendiado já estão trabalhando para bloquear possíveis passagens secretas.”
Zikr: “É mesmo? É encorajador saber que há soldados, além dos Generais, com sagacidade para antecipar situações. Quando tudo isso acabar, precisaremos recompensá-los com promoções. Mas, por agora…”
???: “―Até que os reforços cheguem, nossa postura será de defesa total, correto?”
Ao ouvir as instruções de Zikr, o subordinado, um General de Terceira Classe, fez uma reverência profunda.
Se fossem as palavras de um General comum, talvez fossem ridicularizadas por essa abordagem passiva. Na verdade, Zikr já fora alvo desse tipo de escárnio.
Mas, após sofrer um duro golpe do Povo de Shudrak, ele sabia que, se voltasse para a Capital Imperial, não escaparia de punições.
Já encurralado, não havia motivo para não tomar as melhores medidas possíveis na situação.
Seus subordinados também compreendiam isso, e não zombavam de sua postura.
E então―,
Zikr: “Desculpe, o quê?”
Confinado na Cidade Fortaleza de Guaral, Zikr, retomando a operação, ergueu a sobrancelha em irritação ao ouvir o relatório de seu subordinado.
Nos dias passados aguardando os reforços da Capital Imperial e tentando controlar a tensão crescente, o conteúdo do relatório despertou emoções em Zikr que eram completamente fora de lugar.
A razão disso―,
Subordinado: “Sim, parece que, nesses últimos dias na cidade, uma trupe de artistas itinerantes se tornou o centro das conversas.”
Zikr: “Artistas itinerantes…”
O relatório que chegou foi do tipo mais despreocupado, quase como se fosse uma notícia trivial.
Era um tipo de informe totalmente inadequado, considerando o clima de guerra em que estavam. Contudo, não havia razão para repreender o subordinado que o trouxe.
Afinal, era o próprio Zikr quem detestava forçar deliberadamente os cidadãos a reconhecerem a situação de guerra em que estavam vivendo.
Mesmo em tempos normais, a insatisfação se acumulava facilmente em cidades onde tropas estavam estacionadas. E, dependendo das circunstâncias, a falta de controle sobre o ânimo popular poderia levar à destruição. Era esse o risco da situação.
Com esse pensamento em mente, Zikr intencionalmente evitava ações que restringissem fortemente a liberdade de opinião do povo.
Ele se concentrava em manter a vigilância contra as ameaças externas à cidade, evitando qualquer infiltração dos Shudrakianos, autorizando seus soldados a realizar buscas minuciosas sem exceção. Dessa forma, permitia que os cidadãos seguissem com suas vidas cotidianas.
Ele sabia que isso soava contraditório, mas era o preço da conciliação entre o senso comum de Zikr e seus instintos militares.
De qualquer forma, ao adotar essa postura, a rotina de entradas e saídas da cidade, o controle na porta principal e o manejo de mercadores e vendedores ambulantes, permaneciam imutáveis.
Por isso, talvez não houvesse problema em permitir a entrada de uma trupe de artistas itinerantes na cidade, mas―,
Zikr: “…E o que você pretende com essa informação? Se está sugerindo que a gente os controle, eu realmente preferiria não fazer isso. Olhe ao redor. Dá para entender porque os cidadãos acolhem essa trupe.”
A cidade estava repleta de soldados imperiais e guardas, que patrulhavam pelas redondezas.
Após a investida inimiga, muitos soldados que entraram na cidade estavam com a hostilidade e a vigilância aumentadas em relação aos Shudrakianos, e, apesar das ordens para serem cuidadosos, os conflitos com os cidadãos se tornaram frequentes.
Não era difícil imaginar que a aparição de uma trupe de artistas poderia trazer uma pequena paz para a população. Então, se a retirassem―,
Zikr: “A hostilidade dos cidadãos vai explodir. Não é difícil de entender, não é?”
Subordinado: “Claro, como o senhor disse. Por isso, não estou sugerindo que a gente os controle. Só…”
Zikr: “Só o quê? Está fazendo isso parecer mais importante do que realmente é.”
Zikr ergueu a sobrancelha, impaciente, e pressionou o subordinado a continuar.
Depois de um minuto de silêncio, o subordinado baixou a cabeça como se já tivesse se resignado. Com um gesto de respeito, colocou o punho sobre a palma da mão e controlou a respiração, soltando um “Hah”, antes de dizer,
Subordinado: “Na verdade, essa trupe… aquelas dançarinas são bastante impressionantes, mas… qual é a sua opinião, senhor? Que tal vê-las uma vez?”
Zikr: “Eu? Não é que dançarinas não sejam tentadoras para mim também, mas…”
Ao ouvir a proposta inesperada de seu subordinado, Zikr abriu os olhos surpreso.
Sua relação com aquele subordinado era longa, haviam lutado juntos em vários campos de batalha. Era impensável que ele sugerisse algo assim sem motivo.
No entanto, Zikr não conseguia compreender a verdadeira razão de seu subordinado querer mostrar as dançarinas para ele.
Subordinado: “Senhor, não posso dizer isso em voz alta, mas a insatisfação entre as tropas também está aumentando.”
Zikr: “Hm…”
O subordinado se endireitou e fez a revelação para o Zikr perplexo.
A grave observação fez os olhos de Zikr se estreitarem. Quando, em silêncio, incentivou o subordinado a continuar, o subordinado abaixou ainda mais a voz e disse,
Subordinado: “A resposta relutante da capital imperial em enviar reforços também é um ponto, mas os soldados parecem ter suas dúvidas em relação à forma como o senhor se isolou na cidade, adotando uma postura defensiva. E há ainda o incidente anterior, com o acampamento queimado.”
Zikr: “――Entendo. Não, isso é uma reação natural.”
Ao ouvir a explicação sem rodeios do subordinado, Zikr sentiu algo pesado se instalar em seu peito.
Era inevitável que a insatisfação e a desconfiança dos soldados em relação a Zikr se acumulassem e fervissem. Permitir que os Shudrakianos realizassem o ataque preventivo, que resultou na morte de vários soldados, fora culpa sua.
Após aquele evento, as tropas que se reuniram não tiveram tempo para se recuperar. Portanto, não era surpresa que eles direcionassem seu desagrado para Zikr.
Subordinado: “Entre os mais críticos, dizem que o senhor é um―”
Zikr: “―Nem mais uma palavra sequer.”
Subordinado: “―Hk, peço desculpas pela minha indelicadeza.”
Interrompendo a frase do subordinado, Zikr colocou a mão na testa.
Se um oficial superior fosse passivo em relação às atitudes e descontentamento de seus subordinados com ele, Zikr poderia imaginar os xingamentos que eles soltariam. Como se conseguisse ouvir aquelas ofensas diretas e insuportáveis.
Mesmo após ter alcançado o posto de General de Segunda Classe, Zikr não conseguia aceitar aquele tipo de insulto.
E foi somente quando seus pensamentos o levaram a esse ponto que ele percebeu a verdadeira intenção por trás da proposta de seu subordinado.
Zikr: “Agora entendi. Ou seja, você está sugerindo que criemos um espaço para aliviar as queixas dos soldados, não é?”
Subordinado: “Sim, exatamente. Acho que podemos usar as dançarinas para isso. Uma vez que eles vejam aquela maravilhosa música e dança, muitos dos soldados… “
Zikr: “Hohoh, entendo. Está falando como quem já as viu antes, não?”
Zikr estreitou os olhos e seguiu sua suspeita, mas o subordinado, ao perceber a pressão, tossiu e evitou dar uma resposta direta. No entanto, a atitude dele foi prova suficiente de que a intuição de Zikr estava correta.
De qualquer forma, ele se via preso entre a posição de General e a de Soldado, uma situação difícil.
Enquanto tentava encontrar uma maneira de curar a relação entre ambos, forçar mais o subordinado seria, literalmente, agir de maneira “mesquinha”.
Além disso, aquele subordinado já havia visto as dançarinas com seus próprios olhos e, de forma veemente, propôs utilizá-las em grande escala.
Zikr: “Acredito que essas dançarinas sejam realmente belas, não?”
Subordinado: “Claro! Ah, ahem, sem dúvida, elas vão agradar seus olhos, Senhor. A dança, a música e a performance do Musicista também são esplêndidas…”
Zikr: “Hmhm, isso realmente aumentou minhas expectativas.”
Embora respondesse na mesma moeda, Zikr achava as descrições um pouco exageradas.
Pensando assim, no entanto, ele não podia deixar de sentir uma leve satisfação pelo fato de seu subordinado ter levado em consideração sua posição e os tempos difíceis que se aproximavam ao trazer essa proposta. Por isso, não havia motivo para ser teimoso e recusar.
Zikr, que ultimamente estava sobrecarregado e ansioso, não tinha chamado nenhuma dama para seu quarto recentemente.
Ele não poderia impor a mesma inconveniência aos seus soldados.
Zikr: “Tudo bem, entendi. Vou me deixar convencer por você aqui. Convide essa trupe de artistas itinerantes e prepare um espaço para mostrar apreço pelos soldados.”
Só que――,
Zikr: “――Certifique-se de que eles não tragam armas. Não se esqueça de revistá-los.”
Assim que a aprovação de Zikr foi recebida, as tropas se mobilizaram rapidamente.
Quase como se estivessem sofrendo de uma severa desidratação e fome, imediatamente prepararam um espaço para um banquete no primeiro andar da Prefeitura, providenciaram comida e bebida, e reuniram mulheres para servir como garçonetes.
Em seguida, entraram em contato com a trupe de artistas itinerantes e a convidaram para o último andar da Prefeitura.
???: “――Quem vocês estão prestes a ver, é a bela dançarina que vem além da Grande Cachoeira. Seu cabelo negro e sedoso, que absorve a luz do sol, junto com sua pele pálida e abençoada pelos espíritos, sua beleza imensurável é comparável à de seres divinos, e esta noite, ela irá presentear todos vocês com uma performance esplêndida.”
Após o discurso dramático do Musicista, o véu foi lentamente retirado com grande espetáculo.
A trupe era formada apenas por mulheres, e o que as musicistas revelaram sob o véu caiu como um espetáculo: a dançarina, o assunto do momento da cidade―― Ao ser revelada, Zikr arregalou os olhos surpreso.
Zikr: “――――”
Expondo sua pele alva, a beleza que deixava seus cabelos caírem soltos pelas costas parecia muito mais do que o discurso do Musicista havia transmitido. ――De fato, tais palavras estavam longe de ser suficientes para descrever a beleza daquela mulher.
Seus cabelos negros, fascinantes como a noite, sua pele de creme envolta por uma veste leve. Certamente, havia uma força mágica nelas, uma que seria capaz de hipnotizar todos que a olhassem. Porém, esses aspectos eram apenas uma parte do verdadeiro motivo de sua beleza.
Incluindo pessoas além das dançarinas ou musicistas, se carisma fosse o que encantasse a maioria dos humanos, e se carisma fosse equiparado ao talento, a aura e a presença daquela dançarina estavam assustadoramente transbordando desse carisma.
Mas, acima de tudo, o que fez Zikr sentir uma emoção tão profunda não foram apenas as suas feições, mas, sem dúvida, os olhos da dançarina.
Dizer que seus olhos amendoados, com longos cílios, eram o centro de suas características seria inadequado. Não era exagero afirmar que, de acordo com a proporção áurea, estavam posicionados no lugar perfeito.
O motivo de sua garganta secar involuntariamente era porque Zikr, instintivamente, sentiu um desejo crescente.
Se esse desejo fosse devido à atração pela beleza física da dançarina ou se era por causa do carisma que ela emanava, Zikr não saberia dizer. Esse fenômeno era completamente desconhecido até mesmo para ele.
Aquela dançarina já havia incitado emoções tão profundas sem fazer nenhum movimento. O impacto que ela causaria assim que começasse a dançar ao som da música seria de proporções inimagináveis.
E Zikr ansiava ser dominado por um impacto de proporções que ele nem sequer sonhava.
Musicista de cabelo negro: “――Por favor, nos conceda a chance de mostrar a performance de nossa dançarina.”
No lugar da dançarina silenciosa――Ou melhor, da “dançarina”, uma musicista de cabelo negro fez uma reverência.
As duas musicistas, bem como as mulheres de cabelo negro e loiro, também eram belas; no entanto, para Zikr, que estava enfeitiçado pela presença da dançarina, elas eram meras acompanhantes. Normalmente, qualquer pensamento de dispensar as mulheres seria motivo de autoexame e reflexão, mas, naquele momento, Zikr estava tomado de fervor, ao ponto de tais pensamentos sequer passarem por sua mente.
Nunca, até aquele momento, Zikr havia se tornado tão consciente de seu apelido, “Mulherengo”.
Na verdade, Zikr provavelmente era um mulherengo. ――Porque, diante de uma beleza dessa magnitude, manter a paz de espírito era, sem dúvida, impossível.
E assim, com seu coração ainda queimando de ardor, o banquete começou.
Claro, como Zikr era o comandante, sua cadeira no banquete ficava no fundo. Os Generais reunidos――já que os soldados de patente inferior haviam sido excluídos, as pessoas de maior posto se agruparam e começaram a saborear a comida e a bebida.
O maior espetáculo, porém, como era de se esperar, era a apresentação da trupe de artistas itinerantes.
Originalmente, o objetivo era mostrar apreciação pelas tropas e permitir que liberassem suas frustrações, mas Zikr havia esquecido o propósito inicial e mantinha a respiração suspensa, aguardando a vez da dançarina no palco.
Levando a bebida à boca para matar a sede, umedeceu a língua, os lábios e a garganta. Fez sua respiração voltar ao normal dessa forma.
O coração de Zikr estava completamente enfeitiçado.
Musicista de cabelo negro: “――Esta noite, o que testemunharão é uma dança vinda da terra natal de nossa dançarina, uma dança de além da Grande Cachoeira. Uma dança que atravessou as fronteiras do mundo para chegar até aqui. Por favor, apreciem-na ao máximo.”
A voz da cantora começou, e o dedilhar das cordas deu início a uma música suave.
Enquanto uma melodia desconhecida se iniciava, os Generais que antes conversavam ruidosamente prenderam a respiração, com os rostos corados. Eles também não conseguiam tirar os olhos da performance que estava prestes a começar.
Então――,
???: “――――”
A dançarina, que lentamente apareceu à vista, iniciou sua impressionante “dança”.
Todos: “――――”
Usando ao máximo seus longos membros, todos ficaram sem palavras diante da figura com os cabelos negros ondulando enquanto ela dançava.
Esquecendo de respirar, observaram-na. ―Essa era a verdadeira definição de “encantado”. Quem visse uma dança assim e mantivesse a mente sã, teria algo de errado consigo.
Alguém assim não compreendia o valor da dança e possuía o instinto de um animal.
Os soldados imperiais eram como uma alcateia de lobos, mas não eram bestas destituídas de inteligência ou fala.
Por isso, até mesmo os generais prenderam a respiração, esqueceram como respirar e foram completamente cativados pela dança graciosa da bela dançarina.
Todos perderam a voz, completamente absortos na dança dela.
Cabelos negros como a noite, pele suave e branca, sem um único defeito. Um rosto sedutor que faria até os artistas cortarem a mão dominante para ter o conhecimento profundo necessário para retratá-lo. Todos ficaram encantados por aquilo.
No entanto, o que continuou a atrair, sem cessar, os olhos, a mente e o coração de Zikr, não foram essas características.
―Foram os olhos.
Como ele pensava, não conseguia desviar o olhar dos olhos da dançarina.
Seus olhos longamente delineados dominavam o palco onde ela dançava e pareciam perfurar o fundo da sala, diretamente em Zikr.
Seus olhos, que não deixavam seu alvo por um único segundo, tomaram de assalto o cérebro de Zikr e não soltaram sua presa.
Eventualmente, a dançarina atravessou o salão, avançando diretamente até Zikr.
Então, suavemente, ajoelhou-se no lugar, ergueu as duas mãos e pediu pela espada de Zikr.
Naturalmente, Zikr entendeu sua ação, que significava o desejo de uma espada.
Com o mundo em suas mãos, a dança da dançarina elevou a tensão e tornou óbvio que ela subiria de nível. Ficou claro que a próxima etapa seria uma dança com espadas, e ela queria sua lâmina para isso.
Recusar era algo que não passava pela mente de Zikr.
Ninguém podia interromper o que estava acontecendo. Nem os subordinados, nem os outros generais; ninguém teria ousado impedir aquele ato.
Era como se tudo fosse inevitável, predestinado de uma forma tão natural que resistir seria inconcebível.
Foi por isso que―,
Dançarina: “―Você perdeu, Zikr Osman.”
Mesmo ouvindo essa declaração fria enquanto a lâmina desembainhada era apontada diretamente contra sua garganta, Zikr Osman não conseguiu compreender que havia sido derrotado por sua própria fama de Mulherengo.
Zikr: “――――”
Mesmo naquele exato momento, ele não conseguia desviar os olhos da dançarina que proferira tais palavras.
Aquele olhar frio, carregado de um carisma irresistível que atraía tudo e todos ao redor―― havia algo de familiar naquela presença. Uma sensação de déjà-vu que queimava incessantemente na mente do general derrotado.