Supreme Magus – Capítulo 1170

Sonhos Despedaçados (2)

Arthan Grifo foi um monstro, mas também um gênio que alcançou uma compreensão das artes de cura que ainda ofuscava até mesmo os magos modernos.

Vastor acreditava que uma vez que ele dominasse a Loucura, ele seria capaz de criar as bases para novos ramos da magia da Luz e se tornar um Magus assim como Menadion fez depois de melhorar o trabalho de Silverwing.

Infelizmente, havia limite para o que ele podia entender com os poucos fragmentos e projetos da Loucura ainda disponíveis. Além disso, sua ignorância sobre as Artes Proibidas tornava tudo ainda mais difícil.

Para dedicar todo o tempo que podia à Loucura de Arthan, Vastor tornou-se professor na academia Grifo Branco. Melhorar os livros didáticos era mamão com açúcar para ele e lhe dava a cobertura perfeita para procurar pessoas que pudessem compensar suas deficiências.

Então, Vastor conheceu o Duque Marth. Mesmo quando jovem, o futuro Diretor do Grifo Branco mostrou um talento e engenhosidade que Vastor não teve nem mesmo durante seu auge.

No papel, com apenas a especialização de Curandeiro, Marth era um aluno mediano. A verdade, no entanto, é que ele não apenas foi excelente em todas as aulas, mas também criou e compartilhou feitiços inovadores mesmo estando em seu quarto ano.

Como suas forças mágicos eram semelhantes, Vastor pensou ter encontrado uma alma gêmea e esperou que a história se repetisse. No entanto, embora o núcleo azul brilhante de Marth o limitasse, seu cérebro compensou isso nunca ficando sem novas ideias.

Ele inventou a disciplina Ressonância Sanguínea que permitia identificar cadáveres no campo de batalha e reconhecer a linhagem de alguém. Ele aperfeiçoou as artes regenerativas e criou novos feitiços que tornavam os membros recém-formados capazes de se adaptar ao corpo.

Ao contrário de Vastor, a ascensão de Marth nunca parou, permitindo que ele se tornasse um Arquimago aos vinte anos e um Professor logo depois. Para piorar as coisas, no curto período de tempo após sua formatura, Marth também aprendeu Maestria da Forja e se tornou um Mestre da Forja Real com uma facilidade que deixou todos boquiabertos.

Alguns anos depois, quando Manohar chegou ao Grifo Branco, Vastor sabia que estava enfrentando um monstro disfarçado de humano. Ao contrário de todos os outros antes dele, Manohar começou o quarto ano da academia com apenas doze anos e dava aulas para seus professores com mais frequência do que as recebia.

Ele fez a especialização de Mago de Batalha só porque parecia legal e mesmo que ele rapidamente tenha se cansado disso, Manohar ainda se saia bem em cada uma de suas aulas mal folheando os livros e sem prática.

Após sua formatura, ele revelou ter aprendido Maestria da Forja por conta própria. Como hobby, disse ele, porque as ferramentas da academia eram muito primitivas para seu gosto e ele não podia confiar em idiotas para fazer as coisas direito.

O talento sem fim de Manohar só era igualado por sua grosseria, mas apesar das inúmeras humilhações que Vastor teve que suportar enquanto Manohar o diminuía diariamente, os dois se tornaram amigos.

Sendo um verdadeiro gênio, Manohar ficou absorto no mistério da Loucura e conseguiu preencher muitas das lacunas nos projetos. Sem que Vastor soubesse, Manohar descobriu a Maestria da Luz graças ao seu trabalho em conjunto.

Sem que Manohar soubesse, mesmo a compreensão de Vastor sobre o elemento luz não sendo tão profunda, ele ainda conseguiu melhorar cada uma das descobertas de Manohar além do que o gênio facilmente entediado poderia pensar, tornando-se a figura principal do campo de escultura corporal e até mesmo aprendendo a  Metamorfose.

O entusiasmo da Abominação só durou até que a memória chegou ao ponto em que descobriu que Manohar não mencionava tais técnicas apenas porque as havia aprendido sozinho como aluno lendo os livros de Vastor.

Então, a criatura caiu em desespero com as memórias de como Vastor foi forçado a se tornar um Grão-Mestre.

Eram as armas secretas de cada um dos três Grandes Países. Magos tão poderosos que poderiam começar ou terminar uma guerra por conta própria. Não havia honra em ser escolhido como o único Grão-Mestre de sua geração para Vastor.

A realeza não pediu a Manohar simplesmente porque ele era patologicamente incapaz de seguir a cadeia de comando, muito menos ordens. Marth, em vez disso, estava no meio de um experimento importante que não podia ser adiado.

Vastor sabia que aquelas palavras eram todas desculpas educadas. Que a verdade era muito mais cruel. Eles o escolheram para o papel apenas porque consideravam Vastor dispensável.

Manohar e Marth eram preciosos demais para arriscar suas vidas em disputas ao longo das fronteiras do Reino. Como Grão-Mestre, Vastor evitou inúmeras guerras ao mostrar a destreza do Reino Grifo aos seus vizinhos.

Ele massacrou aldeias inteiras durante a noite e, graças à Metamorfose, derrubou fortalezas antes que seus soldados pudessem entender o que estava acontecendo. Todos esses feitos reforçaram as fronteiras do Reino e danificaram a mente de Vastor.

Seus superiores no exército e na Associação justificavam esses assassinatos com um bem maior, mas foi Vastor quem teve que levantar a mão contra as crianças indefesas, ele quem teve que viver com as imagens das carnificinas queimando em seus olhos.

Foi então que Vastor entendeu que o “bem maior” não passava de uma mentira inventada por homens medíocres só para manter suas posições privilegiadas de poder. A vida na academia reforçava suas convicções a cada dia.

Aqueles de linhagens mágicas e até plebeus dariam tudo de si para alcançar a grandeza, enquanto os nobres dariam tudo como garantido e colocariam um esforço mínimo em seus estudos.

‘Os nobres sugam o sangue de seus súditos sem lhes dar nada em troca. Eles são parasitas inúteis enquanto, com esses mesmos sacrifícios, um mago nutrido pela Loucura viveria o suficiente para conseguir grandes coisas.’ Vastor disse ao seu clone que gemia de dor.

O Mestre havia passado anos superando os traumas que a criatura agora experimentava um após o outro. A Abominação reviveu todos os fracassos de Vastor junto de sua culpa por todas as pessoas que ele sacrificou inutilmente por anos.

Pelo menos até conhecer Xenagrosh. Ela o ensinou sobre a existência do Despertar e do que estava além: Abominações e Guardiões. As abominações eram semelhantes aos mortos-vivos, mas seu potencial era ilimitado.

Embora os mortos-vivos raramente alcançassem o Despertar e fossem limitados pelo design defeituoso de Baba Yaga, as Abominações eram a evolução natural daqueles que alcançaram o auge da existência através do trabalho duro.

Abominações eram seres feitos puramente de mana, eternamente jovens e capazes de acessar a Magia do Caos, algo que ninguém mais era capaz de fazer, enquanto o estado morto-vivo era apenas uma perversão da vida.

Vastor desprezava os Guardiões por não compartilharem seu conhecimento, considerando-os semelhantes aos nobres que forçavam seus súditos a viver vidas abjetas[1] apenas para se sentirem melhores consigo mesmos.

Os Guardiões protegiam um equilíbrio injusto e ele sabia que mais cedo ou mais tarde sua Organização entraria em conflito com eles. Para saber mais sobre os Guardiões, ele reuniu seus descendentes e trabalhou para restaurar seus poderes ancestrais.

Juntos, Vastor e os Desgarrados progrediram na restauração da Loucura a passos largos, muitas vezes com a ajuda involuntária de Manohar, de Balkor e até mesmo de Thrud.

O Magus de Sangue foi uma praga para o Reino, mas uma fonte de inspiração para Vastor, que aprendeu com ele como conectar tecidos de Abominação a seres vivos e como estabelecer com segurança uma mente colmeia.

Seu projeto inicial envolvia a fusão de várias Abominações para formar uma criatura com sua sabedoria e poderes coletivos, mas sem uma mente colmeia, havia apenas loucura.


Nota:

[1] Que ou o que não tem dignidade; desprezível, vil.

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