Supreme Magus – Capítulo 1177

Luta Contra o Tempo (1)

“Tá, entendi que comparada a você sou mais verde que mato, mas nunca sofri nenhuma derrota esmagadora contra você enquanto treinávamos.” disse Tista.

“Eu ainda estava me acostumando com meu novo corpo e meu objetivo era te ensinar esgrima enquanto Faluel te ensinava a lutar como um Desperto.” Phloria respondeu.

“Aprender tomando uma surra só funciona em contos de bardo. Para uma derrota ser significativa, você tem que durar o suficiente pra cometer erros. É por isso que no exército dizemos que o treinamento ensina a perder, enquanto a experiência de combate ensina como vencer.”

Phloria se levantou e acenou para Tista dar um passo à frente enquanto fazia os móveis desaparecerem no chão. Ela também tirou seu florete de seu item dimensional, assumindo uma postura defensiva.

“Por que você sacou suas armas, mas não ativou a magia de fusão?” Tista perguntou enquanto empunhava uma espada curta em cada mão.

“Humanos não têm chance de derrotar as Bestas Imperadoras ou monstros com as mãos nuas, pelo menos no nosso nível. Ir na mão só é bom numa taverna ou se você quiser capturar seu alvo vivo, mas no campo de batalha, a sobrevivência requer matar.”

“Quanto à Magia de Fusão, você é mais baixa e mais leve que eu e seu núcleo de mana é mais fraco também. Se usarmos, você nem verá meus ataques.” Disse Phloria.

“Veremos.” Tista circulou ao redor de Phloria, que só precisava girar o pé da frente para seguir cada movimento dela.

Depois de não conseguir encontrar uma abertura, Tista se lançou para sondar a defesa de seu oponente. No momento em que ela colocou seu peso no golpe, Phloria deu um passo à frente, usando a ponta de sua espada para empurrar Tista para longe.

O movimento foi tão rápido e forte que, para não perder o controle da arma, Tista perdeu o equilíbrio por uma fração de segundo. Tempo suficiente para Phloria chutar a canela de Tista e fazê-la voar.

“Agora me diga, o que você aprendeu com uma derrota tão rápida?” Phloria perguntou enquanto se movia ao redor do inimigo caído como um abutre circulando sua presa.

“Nada. Fiz tudo certo e mesmo assim…”

“E ainda assim você perdeu. Essa é a função do treinamento. Aqui você pode se dar ao luxo de perder, enquanto lá fora derrota significa morte.” disse Phloria.

“Você pode ter deixado o exército, mas com certeza parece um sargento.” Tista se levantou, retomando sua postura. “Mais uma vez, mas desta vez pegue leve comigo o suficiente para que eu dure mais do que um espirro.”

“Aí é com você. Nunca coloque tanto peso em uma finta, caso contrário é o mesmo que um ataque ruim.” disse Phloria.

As duas mulheres lutaram até ficarem encharcadas de suor, com Phloria aumentando o nível assim que Tista melhorava, dando a nenhuma delas um único segundo de descanso a menos que fosse solicitado.

“O que é aquilo?” Tista apontou para uma fissura dimensional aberta no meio da sala. Uma fração de segundo depois, uma pequena figura coberta de rachaduras e marcas queimadas saiu da Dobra.

“Você realmente acha que eu vou cair no truque mais antigo do livro?” Phloria zombou da tentativa infantil de Tista de distraí-la.

“Rápido, Lith precisa de ajuda!” A voz de Solus emanava tanto dor quanto preocupação.

“Bons deuses, Solus, o que aconteceu com você?” Tista largou as armas e pegou o pequeno anel de pedra no ar, lançando instintivamente um feitiço de diagnóstico que não lhe deu nenhuma informação.

O corpo de pedra de Solus ainda estava carbonizado pela energia do Caos e estava sem alguns pequenos pedaços. Poucos de seus ferimentos foram feitos pelo Marionetista, a maior parte do dano havia sido causado pela força vital Abominação de Lith.

“É uma longa história e lhes deixar a par usando uma conexão mental causaria envenenamento por mana em vocês.” disse Solus.

“Por que você o deixou lá se ele estava tão ruim assim?” perguntou Tista.

“Porque estávamos trabalhando com Bestas Imperadoras Despertas. Eles são obrigados a usar Revigoramento para avaliar os ferimentos e eu não poderia me dar ao luxo de ser descoberta.” respondeu Solus.

“Quão ruim é a situação dele?” Olhando para o estado desgastado do anel de pedra, Phloria ficou mais uma vez chocada com o quão profundo era o vínculo entre Lith e Solus.

Mesmo enquanto parecia estar à beira da morte, ela não parecia se importar muito com sua própria condição. Assim como Phloria faria.

“Grave. A força vital dele foi muito prejudicada e eu sou a única que sabe como consertar isso. Eu preciso que uma de vocês me coloque no dedo e me mantenha o mais próximo possível dele. Desse jeito, eu vou curar as feridas dele e ele as minhas.” disse Solus.

‘Graças aos deuses Faluel me fez praticar Metamorfose na força vital de Lith durante meses. Não só a conheço como a palma da minha mão, como também me permite usar a Metamorfose para estabilizar suas duas forças vitais até que o equilíbrio natural seja restaurado, já que metamorfose é só um aprimoramento da Escultura Corporal.’ Ela pensou.

“É com você, Tista. Você é uma curandeira muito melhor do que eu. Vamos usar o Revigoramento para recuperar nossa força e não hesite em usar minha vitalidade.” Phloria colocou o anel no dedo de Tista e abriu uma Dobra Espacial ao mesmo tempo.

Tista assentiu, percebendo que Solus precisaria de toda a ajuda que pudesse conseguir para não ter sua própria força vital danificada. Por um lado, graças à sua metade da torre, qualquer dano que ela pudesse sofrer não ameaçaria sua vida, apenas dissiparia parte de seu núcleo de mana.

Por outro lado, destruiria vários anos de espera paciente e trabalho duro em prol da restauração de seu corpo físico. Entre o núcleo reformado da torre e o núcleo azul brilhante de Lith, as feições de Solus quase podiam ser vistas sob sua pele luminosa.

Tista acreditava que recuperar uma aparência totalmente humana era o último passo antes de ganhar um corpo feito de carne e sangue. Além de Lith, era ela quem mais conhecia Solus, tendo passado com ela a maior parte do pouco tempo livre que tinha.

Solus tinha compartilhado com ela todas as suas dúvidas, seus sonhos sobre o futuro, e a esperança de um dia ser capaz de dar um único passo em Mogar sem a necessidade da torre.

‘Ela está tão perto de realizar o sonho de uma vida. Eu não posso deixá-la perder tudo mais uma vez. Eu sei que não há nada que Solus não faria para salvar Lith, mas se ela regredir de volta a um fogo-fátuo, eu não sei se sua sanidade vai aguentar.’ Tista pensou enquanto sua mente girava a todo vapor tentando encontrar uma maneira de superar a crise.

Entre a luta e a energia do caos que devastara sua forma de pedra, Solus estava enfraquecida demais para pensar com clareza. Mesmo que ela agora estivesse separada de Lith, a escuridão ainda persistente manchou a pedra e fez o dedo de Tista queimar.

Havia uma boa razão pela qual Salaark, a Fênix, proibiu Balkor de estudar a magia do Caos.

Enquanto a magia da escuridão normal afetava a matéria e a mana, o Caos podia afetar até mesmo a mente. Para curar os efeitos do primeiro, era necessário limpar a escuridão e depois curar o corpo através da magia da luz. Tratar o último, no entanto, exigia muito mais do que isso.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Opções

Não funciona com o modo escuro
Resetar