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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo 73

Escória se aproximando de longe e um canalha espreitando por perto

— EU ESTOU NU, AFINAL! — gritou Kanata, tendo sido reencarnado em Lambda completamente pelado. Mas logo em seguida, ele recuperou a compostura. Embora não desejasse isso, era um homem que havia recebido treinamento padrão em um exército. Não se esquecia do perigo de fazer barulho por coisas triviais em uma situação desconhecida.

Embora, se fosse realmente um homem capaz, teria mantido a calma desde o início.

Deixando isso de lado, Kanata começou a observar seus arredores para avaliar a situação.

Julgando pela altura do sol no céu, era pouco antes do meio-dia. Ele estava cercado por uma planície coberta de grama com moitas e arbustos, e não parecia haver criaturas perigosas — humanos incluídos — por perto.

— Eles são chamados de “humanos” neste mundo, né? Isso parece mesmo um mangá, existir raças sencientes além dos humanos — disse Kanata, examinando mais uma vez o próprio corpo.

Nota do tradutor: Uma palavra japonesa diferente, que geralmente significa “humanidade”, é usada para se referir a humanos em Lambda. Isso complica a tradução, então estou traduzindo caso a caso com base no contexto.

Embora ele não pudesse ver detalhes finos, já que não havia nenhum espelho por perto, parecia que não havia nenhuma mudança em relação a como estava em Origin pouco antes da morte, exceto pelo fato de que o ferimento fatal no plexo solar havia desaparecido. Estava exatamente igual: desde o corpo magro e treinado até as pintas.

E como havia gritado um momento antes, estava completamente nu, mas… ao observar os arredores, algo chamou sua atenção.

Um esqueleto caído em pedaços, junto com sua bagagem, estava jogado no chão.

— Será que era isso que aquele deus quis dizer com “ajustar as coisas para que deem certo”? — Kanata se perguntou.

Parecia meio nojento, e ele não ficou nem um pouco satisfeito com isso, mas também não gostava da ideia de ir matar Vandalieu vestido com uma saia de grama e um porrete feito das plantas ao redor, então não tinha muita escolha.

Ele vasculhou a bagagem e encontrou várias peças de roupas, embora parecessem velhas, além de uma única faca enferrujada. Também encontrou algumas moedas de prata e bronze. O dono desses pertences provavelmente havia sido morto por um leão ou algo do tipo.

— Argh, isso é horrível ao toque — reclamou Kanata para si mesmo. — Não é algodão… Será que não tem fungos crescendo nisso? Agora, o Vandalieu está…

【Esta mensagem foi configurada para tocar automaticamente após sua reencarnação em Lambda.】

— Uwah?! Mas o que é isso?! — Kanata, surpreso ao ouvir de repente a voz de Rodcorte, saltou para longe do local onde estava e levantou a faca, mas o deus não estava em lugar nenhum.

Um momento depois, ele franziu a testa ao perceber que a voz havia soado dentro de sua própria cabeça.

— Isso é pra ser um tutorial de jogo, ou o quê?

【Agora, primeiramente, pegue algumas roupas e o dinheiro necessário para sobreviver por enquanto entre os pertences do cadáver próximo —】

— Quer dizer, eu já fiz isso.

Parecia que a voz de Rodcorte era uma gravação pré-programada, então não responderia às perguntas de Kanata nem mudaria suas falas com base nas ações dele.

【Em seguida, verifique o seu próprio Status. Para isso, basta pensar em visualizar seu Status.】

— Status, hein? — Kanata não estava nada satisfeito com o fato de estar sendo tratado como um personagem de jogo, mas, como instruído, abriu o próprio Status.

“… Hohoh, então este sou eu, hein.”

Era a primeira vez que Kanata via suas habilidades, técnicas e experiências quantificadas em números desde que recebia boletins escolares na escola. A primeira vez desde que morreu na Terra, já que em Origin as coisas eram avaliadas com letras.

Quanto às suas impressões sobre o Status… Ele não gostou de ver que seu “Job” e histórico de empregos estavam como “Nenhum”, como se fosse um NEET, mas ficou feliz de ver que também não havia nenhum Título.

Quanto aos seus Atributos, ele não pensou muito a respeito. Diferente da Mana, coisas como força física e agilidade não eram expressas em números em Origin.

Como na Terra, as habilidades eram medidas por coisas como quantos segundos levava para correr cem metros, quantas flexões conseguia fazer ou qual o peso dos halteres que conseguia levantar.

Sua Mana era o mesmo número que havia sido medido em Origin, então ele supôs que o resto também era igual.

Quanto às suas habilidades, as resistências a Doença, Veneno e Atributo Morte eram as medidas protetivas que ele havia pedido. No entanto, ele estava cheio de dúvidas sobre as habilidades ativas listadas depois delas.

“Eu entendo as habilidades relacionadas à magia, mas… Por que diabos eu tenho Arquearia e Equitação?” Kanata se perguntou. “Nunca usei arco nem montei a cavalo. Técnica de Espada Curta e Combate Desarmado provavelmente vêm do treinamento que recebi com faca e técnicas de combate militar, mas… E o que raios é essa Habilidade Ativa Atribuível?”

【Suas habilidades e experiências com coisas que não existem em Lambda, como o uso de armas de fogo e direção de veículos, foram substituídas por habilidades como Arquearia e Equitação. A Habilidade Ativa Atribuível representa o restante dessas experiências. Você pode atribuí-las às habilidades que achar necessárias, no momento que desejar.】

“Suponho que seja melhor do que ter habilidades totalmente inúteis, mas…” Kanata não gostou do fato de que seu treinamento extensivo e experiência de combate real com armas de fogo, carros, helicópteros e barcos haviam sido substituídos sem sua permissão.

“Bem, acho que vou me concentrar em matar o Vandalieu e renascer em um mundo parecido com a Terra, como eu pedi.”

Tudo com o que estava insatisfeito era temporário – duraria só até terminar seu trabalho.

Se usasse o Gungnir e o Radar de Alvo, listados em suas habilidades únicas, provavelmente não levaria tanto tempo. E, embora não confiasse muito, ainda tinha a Fortuna do Deus da Reencarnação.

“Hmm, como eu uso o Radar de Alvo…? Ah, é só pensar nisso.”

A direção e a distância atual da localização de Vandalieu apareceram na mente de Kanata. De acordo com aquilo, ele não estava tão longe. Se tivesse um helicóptero – ou até mesmo um carro – chegaria lá em um único dia.

“Ah, eu nem tenho um carro, quanto mais um helicóptero. Vai ser complicado viajar tudo isso a pé. Será que devo roubar um cavalo? Ei, Deus, eu disse que não queria encontrar ele de surpresa, mas não precisava me jogar tão longe dele assim, né?”

Ao perceber que seus meios de transporte eram limitados, uma ruga se formou entre as sobrancelhas de Kanata. Era possível voar com magia de vento, mas ele não tinha Mana suficiente para isso.

E se Kanata encontrasse um inimigo enquanto estivesse voando com magia, suas formas de atacar seriam limitadas. Seria outra história se tivesse uma arma de fogo.

【Diferente das suas habilidades, seus Atributos não são particularmente altos comparados aos que têm ocupações voltadas para o combate em Lambda. O melhor seria primeiro ir até uma cidade, registrar-se em uma Guilda de Aventureiros, conseguir um Trabalho (Job), preparar seu equipamento e aprender técnicas de combate.】

Em resposta à voz que ouviu na mente, Kanata balançou a cabeça, achando tudo muito complicado.

“Como eu já disse, não tenho intenção nenhuma de fazer essas coisas que parecem tiradas direto de um jogo idiota,” disse ele.

Mas a única coisa com a qual concordava era que deveria se preparar. Não conseguiria completar essa missão em apenas alguns dias, então, com isso em mente, precisaria de comida.

【Se seguir direto para leste do local onde foi reencarnado, chegará até a estrada principal. Você deverá encontrar meios para cumprir esses objetivos lá.】

“Bem, acho que vou seguir essas instruções,” decidiu Kanata. Não tinha a menor intenção de caçar ou procurar por ervas comestíveis, então começou a caminhar para leste, como foi orientado.

Pouco tempo depois, ouviu um grito.

Correndo na direção do som para ver o que estava acontecendo, viu homens armados – claramente bandidos – atacando uma carroça.

“Hannah, HANNAAAAH!”

“Pai, fuja!”

“Certo! Se não quiserem que a filha do mercador morra, todos vocês joguem suas armas no chão!”

Pelo visto, os bandidos haviam feito a filha do mercador ambulante de refém. Agora estavam forçando os aventureiros contratados como guardas a se renderem.

“… Uwah, que clichê,” murmurou Kanata.

Seria aqui que ele deveria descobrir a direção da cidade mais próxima e conseguir transporte, comida e dinheiro? Ao menos, foi assim que ele interpretou. Então, rapidamente começou a recitar um encantamento:

“A filha e os itens que os humanos estão usando. Grande Incineração!”

Chamas irromperam do pentagrama que surgiu diante das mãos de Kanata, engolindo todos os bandidos… e também a garota que estava como refém.

“H-HANNAAAAH!”

Os bandidos gritaram enquanto eram carbonizados vivos, assim como a garota.

“H-hã? Não está… quente?”

Apesar de as chamas cercarem a garota, elas não causaram dano algum. Nem mesmo deixaram marcas nas roupas dela ou nos equipamentos que os bandidos usavam.

Apenas os corpos dos bandidos haviam sido queimados.

“Parece que meu Dom, Gungnir, é tão fácil de usar quanto era em Origin.”

A habilidade de trapaça que Kanata recebeu de Rodcorte, Gungnir.

Era uma habilidade que permitia penetrar alvos específicos. Permitindo que ele – e objetos ou pessoas em contato com ele – atravessassem matéria física e energias.

Para usá-la, Kanata precisava designar alvos para serem atravessados.

Antes de morrer em Origin, ele havia usado essa habilidade para fazer balas atravessarem prédios e atingirem terroristas, e também para deixar que projéteis e facas passassem por ele sem causar dano, tornando-se invulnerável.

Agora, ele havia designado a garota, os equipamentos dela e dos bandidos como alvos da habilidade, carbonizando apenas os corpos dos bandidos em matéria preta e queimada.

Quanto maior a quantidade de alvos para o Gungnir, mais Mana era consumida. Mas com seu reservatório de mais de 40.000 de Mana, isso não era um problema — desde que Kanata não usasse a habilidade em excesso.

Porém, havia um ponto fraco. Seus ataques podiam atravessar qualquer defesa física ou mágica, e ele podia evitar qualquer ataque usando essa habilidade. Mas, ao observá-lo, era fácil deduzir com que tipo de arma atacá-lo.

Obviamente, se ele designasse balas como alvo do Gungnir, não poderia usar armas de fogo. Se designasse facas, não poderia segurar uma.

Se designasse a luz como alvo e ficasse transparente, também ficaria cego, já que seus olhos não receberiam luz. Se designasse o calor, perderia calor corporal rapidamente.

E se designasse corpos humanos, não conseguiria tocar em ninguém. Por isso, no momento em que resgatou a filha do presidente que estava como refém, era certo que um ataque corpo a corpo o atingiria.

Na verdade, eu fui atingido pela mão da Metamorph… pelo corpo dela.

A fraqueza de Kanata foi completamente explorada. Ele decidiu que nunca mais entraria em combate corpo a corpo com oponentes habilidosos.

— Oh, é como um milagre… Hannah, Hannah!

— Pai!

— Muito obrigado por salvar minha filha!

Kanata, que estava imerso nas lembranças de sua vida passada, voltou à realidade ao ouvir o chamado alegre do comerciante pela segurança de sua filha.

— Ei, tenho uma pergunta. Pra que lado fica a cidade? — perguntou Kanata, percebendo que estavam falando japonês.

— Uma cidade? — repetiu o comerciante, piscando confuso com a atitude de Kanata e o fato de que ele nem havia se apresentado. — A mais próxima é a Cidade de Tia, seguindo esta estrada…

— Nesta direção? Só preciso seguir por essa estrada? Não tem bifurcação? — perguntou Kanata.

— Há um pequeno desvio que leva a uma vila, mas você pode chegar à cidade seguindo pela estrada principal…

— respondeu o comerciante. — Você se perdeu, por acaso?

— Não, agora não estou mais perdido — disse Kanata. — Já consegui transporte, equipamento, comida e dinheiro suficientes por enquanto.

— O que você quer di—

— Vou começar por isso. Homem.

O comerciante sentiu um impacto surdo.

— Kah… Gofuh?

Antes mesmo de entender o que estava acontecendo, sua filha abriu os olhos, arregalados, e sangue jorrou de sua boca.

— Ha… HANNAAAAH?!

Uma faca enferrujada havia sido cravada profundamente no peito da filha do comerciante, que deveria estar segura em seus braços.

— Oh, perfurou mais fundo do que eu esperava — comentou Kanata. — Seriam essas as tais habilidades?

— Hannah-san?!

— O que pensa que está fazendo?! Por que faria algo assim?!

Kanata observava casualmente a garota, que convulsionava com os olhos ainda arregalados de incredulidade, e seu pai, que gritava de dor. Os aventureiros, estarrecidos, ergueram suas armas contra ele.

— Por que, você pergunta… Hmm, porque o nome dela é Hannah — respondeu Kanata. — É o mesmo nome da filha do presidente, aquela que a Mari se disfarçou. É um nome desagradável pra mim, e como isso tudo aqui foi armado por aquele deus, estou apenas me distraindo. Em outras palavras, estou descontando minha raiva, acho. Haha, que patético~♪

— O-o que você está dizendo? — perguntou um dos aventureiros, assustado com as palavras completamente sem sentido de Kanata.

O outro, no entanto, já havia decidido que Kanata era um inimigo a ser eliminado.

— Morra, lunático!

Kanata desviou da lança com o mínimo de movimento necessário, encurtou a distância e enfiou a mão no bolso do aventureiro.

— Hmm, se é só isso que você tem, minhas mãos já bastam. Mas, por via das dúvidas: armas, armadura.

— O quê—?! GAHAH!

Infelizmente para os aventureiros, o nível da Técnica de Combate Desarmado de Kanata, adquirido durante seu treinamento militar, era equivalente ao de um aventureiro de classe C.

Os dois, que eram de classe D e E, não tinham chance contra ele.

Kanata ainda usava Gungnir de forma covarde, atravessando as defesas que os aventureiros tentavam levantar com suas armas e armaduras, golpeando-os diretamente com socos e chutes.

Logo, os dois estavam caídos no chão, com os olhos revirados.

— Mesmo que o nome da garota fosse Beth ou Hanako em vez de Hannah, eu teria dado fim nela depois de estuprá-la do mesmo jeito. Então, se você está se culpando achando que ela morreu por causa do nome, não precisa se preocupar — disse Kanata ao comerciante.

A filha do comerciante já havia morrido por conta da faca que perfurou seu pulmão, e ele ainda a segurava, em choque.

É claro que ele não estava pensando nada daquilo que Kanata dizia.

— I-isso… Você acha que vai sair impune?! Um dia, você será julgado! — gritou o homem.

— Vamos lá, você é só um personagem nesse mundo que parece um jogo. Não fique tão sério assim — respondeu Kanata. — Tô te dizendo, tá tudo certo. O deus Rodcorte provavelmente vai reencarnar ela em algum outro lugar. E eu também vou fazer isso antes que esse tal julgamento chegue pra mim, de qualquer forma.

Dando uma risadinha ao ver a dor e a fúria do pai que acabara de perder a filha, Kanata queimou o corpo do comerciante até virar cinzas, sem danificar suas roupas — assim como havia feito com os bandidos.

— É minha primeira vez montando a cavalo, mas com a habilidade de Equitação, acho que vou me sair bem — disse Kanata, jogando os pertences e equipamentos do comerciante, dos aventureiros e dos bandidos na carroça, subindo nela e seguindo rumo à cidade.

Ele prendeu na cintura a faca do comerciante, com entalhes em forma de raio no cabo — parecia ser um amuleto da sorte.

A escolha descuidada de Rodcorte sobre quem reencarnar foi o maior erro que ele já cometeu.

Ao reencarnar os mortos na explosão da balsa, de fato havia excluído os terroristas. Porém, quanto à tripulação e aos passageiros, apenas perguntou se aceitavam a reencarnação ou não, sem se preocupar em avaliá-los.

Personalidade, índole, força mental, senso de moral — Rodcorte não analisou nada disso.

Usar como critério o simples fato de alguém ser ou não “mau” no momento da morte era simplório demais — nem podia ser chamado de avaliação.

Apesar disso — apesar de ter considerado algumas coisas — Rodcorte estava impondo o fardo mental de reencarnação em mundos estrangeiros sobre essas pessoas, repetidas vezes.

Como resultado, houve alguns que realizaram feitos brilhantes em Origin, como Amemiya Hiroto, mas também havia aqueles como Kanata.

Rodcorte não esperava que Kanata cometesse tamanhos atos de violência, mas… Kanata já havia renascido em Lambda. Rodcorte já não podia mais controlar suas ações, nem podia confiar em Mensagens Divinas instáveis para transmitir sua vontade.

— “Não foi por isso que o reencarnei naquele lugar, mas… Bem, isso é apenas um problema trivial,” disse Rodcorte a si mesmo.

Com as habilidades de Kaidou Kanata, diferente de Vandalieu, ele não causaria mais de mil mortes com seus atos violentos pelo caminho. Apesar de ainda ser um mundo pouco desenvolvido, nem mesmo Lambda seria significativamente impactado por isso.

— “Mas será que ele realmente não está planejando adquirir uma Profissão, subir de nível ou aprender habilidades marciais?” Rodcorte se perguntava. “Mesmo que Lambda seja inferior em cultura e civilização, as habilidades de combate individuais de suas pessoas são superiores às da Terra ou de Origin…”


Froto nunca teve muita sorte, mas se considerava excepcional. Por isso acreditava que, com apenas um pouco de sorte, seu próximo plano daria certo, ele receberia a recompensa desejada e seria aceito entre os magos contratados pelo Ducado de Hartner.

Mas que diabos é esse moleque?!

Enquanto Froto caminhava rumo à Sétima Vila de Cultivo junto dos três aventureiros — Kasim e seus amigos — ele lançava olhares para Vandalieu.

Atualmente, havia um típico conflito familiar ocorrendo entre os nobres da família Hartner. O chefe da casa ainda estava vivo, mas acamado por uma doença que dificultava seu trabalho oficial. Ele tinha dois filhos com direito à sucessão:

• O filho mais velho, Lucas, era filho da concubina do duque. Um homem extraordinário, corajoso e com talento tático, atualmente servia como comandante da Ordem dos Cavaleiros e tinha imenso apoio do exército do ducado.

• O segundo filho, Belton, era filho da esposa legítima do duque. Talentoso em assuntos administrativos, contava com apoio de muitos oficiais civis e conexões com o governo central. Esperava-se que, se eleito, ele impulsionasse o desenvolvimento do Ducado de Hartner.

O ideal seria que Belton herdasse o título de duque, por ser filho da esposa legítima, e Lucas comandasse os exércitos — especialmente considerando que o Ducado de Hartner havia se tornado a linha de frente contra o Império Amid.

Porém, os dois irmãos tinham visões completamente opostas.

Belton, o segundo filho, acreditava que as defesas contra o Império Amid deviam ser reforçadas ao mesmo tempo que se priorizava o desenvolvimento interno, com foco em proteger o ducado das armas imperiais. Por isso, havia enviado os refugiados problemáticos — causa do declínio na ordem pública — para regiões remotas sob o pretexto de projetos de cultivo. Na prática, estava apenas os abandonando à própria sorte. Isso causou uma queda acentuada no número de refugiados nas cidades.

As vilas de cultivo que fracassaram tiveram seus habitantes enviados para minas de escravos, a fim de extrair os últimos recursos metálicos. Enquanto isso, políticas para manter os fortes e reforçar as guarnições estavam sendo implementadas.

Já Lucas, o primogênito, defendia o uso da justiça como pretexto para retomar o Ducado de Sauron, rompendo as linhas do Império Amid e conquistando glória para o Ducado de Hartner. Ele acreditava que os refugiados, também causadores da desordem, deveriam ser recrutados como soldados descartáveis de baixo nível, enquanto os fundos seriam direcionados para aumentar o número de soldados regulares. A manutenção da ordem pública ficaria a cargo de guardas e aventureiros.

Os dois planos eram polarmente opostos, e como cada irmão acreditava estar fazendo o melhor para o ducado, isso gerou uma disputa. Seus apoiadores e os que se beneficiariam com a execução de cada plano formaram facções distintas.

Froto se alinhava claramente ao lado de Lucas.

Havia perdido uma disputa de poder dentro da Guilda dos Magos e, certo dia, enquanto se lamentava sozinho perto de uma janela, foi abordado por um membro da Ordem dos Cavaleiros de Lucas.

O cavaleiro disse que estavam procurando alguém para se infiltrar nas vilas de cultivo fingindo ser um sacerdote de Alda.

Apesar de ser um plano para simplesmente abandonar os refugiados, o projeto de cultivo de Belton estava indo surpreendentemente bem. Apenas uma das sete vilas havia sido abandonada, e embora houvesse diferenças entre as demais, tudo indicava que elas durariam ao menos mais cinco anos.

Se um plano feito para falhar acabasse sendo bem-sucedido, os aliados de Belton exaltariam sua habilidade administrativa ainda mais, reforçando que ele, como filho da esposa legítima, era o mais adequado para governar.

Isso não encerraria a disputa familiar, mas para a facção de Lucas, era melhor que Belton acumulasse o mínimo de feitos e o máximo de fracassos.

Foi aí que Froto entrou.

Ele começou a se passar por sacerdote de Alda anos atrás e foi enviado para uma vila diferente de outro espião da facção de Lucas, que se disfarçava de comerciante viajante, vazando informações para o lado de Lucas.

Ganhar a confiança dos moradores foi simples. Sacerdotes não possuíam Cartões da Guilda como aventureiros, e havia muitos clérigos itinerantes, então nem mesmo a igreja da cidade sabia de suas ações.

Diferente dos sacerdotes e altos-sacerdotes de verdade, clérigos de sua posição não possuíam qualificações formais. Não serviam em igrejas e, portanto, não havia registros deles.

Para citar um exemplo extremo, qualquer um poderia se tornar um sacerdote — bastava se vestir como um e ter as escrituras, ou pelo menos memorizá-las o suficiente para pregá-las. Se a pessoa ainda fosse capaz de usar magia, mesmo que não fosse das magias de atributo luz ou vida, e fosse culta e bem-informada, seria ainda mais convincente.

A habilidade Sacerdote existe em Lambda, mas representa a capacidade de conduzir rituais como os de purificação e a habilidade de pregar. Se alguém conseguisse fingir essas capacidades, era surpreendentemente fácil se passar por um sacerdote.

Provavelmente isso não funcionaria em cidades com vários clérigos legítimos, mas o que os moradores das vilas pequenas esperavam de sacerdotes viajantes era: remédios, conhecimento, aulas de leitura e escrita, sermões e formas de entretenimento, como histórias de heróis e santos.

E graças às informações que Froto e os outros haviam coletado, os planos para esvaziar as vilas de cultivo finalmente começaram a ser executados. Embora isso diminuísse um pouco o número de candidatos a serem recrutados como soldados de baixa categoria, apenas reduzir os feitos de Belton já era um benefício suficiente.

Mas… esse garoto interferiu com tudo!

Os planos eram rústicos, longe de serem bem elaborados. Froto e os demais nem eram especialistas em conspiração ou sabotagem para começo de conversa. Se fossem usar profissionais, a facção de Belton notaria rapidamente — por isso estavam usando gente como Froto.

Mas mesmo assim, os planos deveriam ter sido suficientes para causar graves danos àquelas pequenas vilas.

Vandalieu salvou a vida do grupo de Kasim e de Ivan. Isso não importava tanto. Já estava decidido que a Sétima Vila de Cultivo, por estar próxima da estrada principal, seria destruída futuramente de qualquer forma.

O verdadeiro problema foi o desastre que se abateu sobre o espião disfarçado de comerciante viajante, que distribuiu veneno na Quinta Vila de Cultivo com o objetivo de exterminar os moradores. Ele falhou em envenenar o caçador chamado Kyne. O espião havia recebido uma data em que não haveria caçadas programadas, mas ou Kyne mudou de planos, ou o espião errou a data… De qualquer forma, Kyne acabou indo para a Sétima Vila de Cultivo, onde Froto estava, em busca de ajuda.

Mesmo assim, Froto não teria como ajudar a curar os moradores, nem conseguiria chegar a tempo. Se ele chegasse na vila no dia seguinte, com todos os moradores mortos, bastaria declarar que houve uma epidemia e o envenenamento em massa seria encoberto.

Mas Vandalieu voou até a vila carregando Kyne nas costas, dizendo que podia curar os doentes.

Kyne duvidou, mas como Vandalieu já havia curado Ivan, todos na Sétima Vila garantiram que ele conseguiria salvar a vila, deixando Froto sem como negar sua habilidade ou impedi-lo de partir.

Froto achava que era uma perda de tempo — que, mesmo que conseguisse salvar alguém, seriam só uns poucos moradores. Era razoável assumir que ele ficaria sem Mana e cairia do céu antes de sequer alcançar a vila.

Foi com esse pensamento que Froto, disfarçando preocupação por Kyne e Vandalieu, foi até a Quinta Vila de Cultivo… e, para sua surpresa, todos os moradores estavam vivos. Pareciam um pouco exaustos, mas esse era o único dano visível.

Mesmo achando que aquilo era um pesadelo inacreditável, Froto se forçou a parecer feliz e exclamou que era um milagre, correndo atrás de Vandalieu, que já havia partido para outra vila.

Enquanto ouvia sobre os feitos de Vandalieu, Froto se perguntava se estava sonhando.

Vandalieu curava doenças sem recitar feitiços, tratava queimaduras e feridas, e até produzia remédio com as pontas dos dedos (na verdade, com as garras).

Desceu voando dos céus para derrotar os Orcs enviados pelo companheiro domador de Froto com um único ataque, salvando a vida de um garoto que deveria morrer.

E, quando ninguém estava olhando, ainda construiu um poço que só precisava de um balde e polia para começar a funcionar.

Até vilas que deveriam ter sido destruídas por bandidos continuavam de pé. Não havia dúvida de que Vandalieu estava por trás disso também.

Na Segunda Vila de Cultivo, ele purificou o fertilizante envenenado distribuído pelos superiores de Froto e ainda ensinou os moradores a usar Goblins como ração de emergência.

Não havia outra forma de descrever seus atos — era trabalho divino.

Quem diabos é esse Dhampir? Será que ele é um espião da facção de Belton?

Não… Se fosse, ele seria a carta na manga de Belton. Alguém capaz de fazer tudo isso jamais seria um espião improvisado como eu. E não o mandariam para um lugar como este. Então… será que ele é apenas alguém que estava de passagem?

Froto olhou timidamente para Vandalieu, mas acabou fazendo contato visual com ele por engano.

Esse garoto?! Será que ele suspeita de mim?!

— “… Há algo de errado?” — perguntou Vandalieu.

Froto começou a suar frio ao ver seu próprio reflexo de medo nos olhos de Vandalieu, que o olhavam como se vissem através de tudo.

— “N-não, não é nada,” Froto respondeu, mal conseguindo impedir que sua voz tremesse.

— “Entendo,” disse Vandalieu, desviando o olhar.

E-esse garoto é perigoso demais! Tenho que reportar isso ao Karcan-dono.

Karcan era um homem da Ordem dos Cavaleiros, o responsável por dar as ordens para Froto e seus colegas — o comandante da operação.

Diferente do espião disfarçado de comerciante, que abandonou a vila sem sequer verificar os resultados, o domador provavelmente já havia partido para fazer seu relatório, mas isso não era o suficiente. Assim que Froto voltasse para a Sétima Vila de Cultivo, teria que sair no mesmo dia e ir até a cidade para fazer seu próprio relatório.

Apesar de Froto estar tão desconfiado de Vandalieu, o garoto não suspeitava dele nem um pouco.

A habilidade Percepção de Perigo: Morte não detectava intenções de pessoas, a não ser que elas realmente quisessem matá-lo ou feri-lo.

E o próprio Vandalieu não era perspicaz o suficiente para perceber o que os outros estavam pensando apenas pelo olhar.

Mesmo quando Froto achou que tinha feito contato visual com ele, Vandalieu estava apenas olhando vagamente para o céu e, por coincidência, acabou olhando para Froto.

Falta de expressão muitas vezes é confundida com raiva, mas a expressão de Vandalieu era completamente vazia, como o rosto de uma boneca. Por causa disso, cada pessoa interpretava a expressão dele de forma diferente.

Se fosse alguém com olhos amigáveis, como os aldeões, ele parecia amigável.

Mas se fosse alguém desconfiado, como Froto, ele parecia estar desconfiando da pessoa que o olhava.

Na verdade, o que Vandalieu estava pensando era algo que todo mundo já pensou pelo menos uma vez:

“Eu queria ser um pássaro… alguém, por favor, me dê asas.”

Por que ele tinha que fazer o esforço de andar por uma hora, se podia usar o feitiço Voo?

Claro, ele entendia que Kasim, seus companheiros e o sacerdote não conseguiriam acompanhá-lo.

Se tentasse carregá-los como fez com Kyne, esse número de pessoas com certeza ultrapassaria o limite de peso.

Usaria Mana demais.

E Vandalieu não era grande o bastante para quatro pessoas montarem nele.

Se um vento forte soprasse, ou se fossem atacados por um monstro como um corvo gigante, alguém poderia cair.

Por isso, não havia escolha a não ser andar a pé.

Vandalieu estava encarando o céu, pensando em como não passaria por esse incômodo se pudesse usar uma magia de voo que permitisse carregar várias pessoas.

E então, algo de repente lhe ocorreu:

“Hã? Se eu quero asas… eu posso simplesmente fazê-las crescer, não posso?”

De fato — se ele queria asas, podia simplesmente criá-las.

Tendo pensado nisso, Vandalieu ficou ansioso para tentar, mas se conteve.

“Seria impossível convencer essas pessoas de que isso é magia de atributo luz… Melhor testar isso depois que eu chegar à Sétima Vila de Cultivo e seguir para a cidade com Eleanora e os outros.”

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