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The Death Mage Who Doesn’t Want a Fourth Time – Capítulo Paralelo 20

O cérebro por trás de tudo se revela, mas o palco está montado em Lambda (De Origin para Lambda)

Depois que a luz desapareceu dos olhos de Pluto, Amemiya Hiroto sentiu um desânimo do qual não conseguia se livrar facilmente.

Para expiar por ter destruído o “Undead” sem perceber que ele era um dos 101 indivíduos reencarnados, ele havia tentado salvar os membros da Oitava Direção que tinham sido resgatados pelo Undead. Apesar disso, acabou matando com as próprias mãos o último membro sobrevivente, mesmo que fosse para salvar a vida de sua própria esposa, Narumi.

E, para piorar, ele fez isso justamente no momento em que Pluto havia percebido a pequena vida abrigada dentro do corpo de Narumi e se sacrificou para protegê-la.

Acabei cometendo o mesmo erro de quando foi com o Undead…

Ele certamente havia cometido um erro. Essa era a única coisa que conseguia pensar depois de tudo; sentia uma vontade de gritar.

“… Vamos ao menos queimar os restos deles. Tenho certeza de que é isso que eles teriam querido”, disse.

Não importava o que fizesse, o tempo não podia ser revertido.

“Você tem razão…” Narumi concordou, fechando os olhos de Pluto. “Sinto muito que isso seja tudo o que podemos fazer, mesmo não tendo conseguido salvar quem era importante para você…”

“Talvez você tenha esquecido, mas as Nações Unidas pediram que recuperássemos os corpos, então… tudo bem. Só temos que fazer parecer que encontramos resistência inesperada e não conseguimos recuperá-los, certo?” disse o “Avalon” Rikudou Hijiri com um sorriso amargo, dando de ombros. “Mas devemos nos preparar para muitas críticas. Todos que estão assistindo isso através de Angel agora são cúmplices.”

Esse plano havia sido criado pelos Bravers. Como resultado, eles conseguiram eliminar a Oitava Direção, mas as forças especiais de vários países também foram quase completamente exterminadas, mesmo que por agirem por conta própria.

E Amemiya Hiroto seria duramente culpado se os cadáveres da Oitava Direção — as pistas para a magia do atributo da morte, que os líderes e altos oficiais de todos os países desejavam desesperadamente — não fossem recuperados.

“Não me importo com isso”, disse Hiroto.

Ele já estava preparado. Um feitiço brilhou em sua mão. Mas antes que pudesse lançá-lo, chegaram notícias por Angel, vindas de Iwao e dos outros que estavam de vigia no túnel, avisando que as circunstâncias haviam mudado.

“Hiroto, Murakami e os outros estão aqui! Eles estão dizendo umas coisas malucas!”

“Alguma besteira sobre serem investigadores infiltrados!”

“Infiltrados?” Hiroto repetiu. “Quer dizer que Murakami é…?!”

Através de Angel, ele pôde ver Murakami, junto com seus três companheiros, incluindo Tsuchiya. Eles finalmente haviam se revelado, segurando documentos de identificação dos Estados Federais.

Era difícil de acreditar, mas os documentos pareciam genuínos.

Isso é ruim.

Hiroto não sabia como Murakami e seu grupo haviam se tornado investigadores infiltrados dos Estados Federais, mas sabia o que estavam ali para fazer: exigir que os restos de Pluto e seus companheiros fossem entregues.

Se permitisse isso, Pluto e seus companheiros perderiam sua dignidade. E, além disso, seres trágicos como o Undead e a Oitava Direção seriam criados novamente para a pesquisa do atributo da morte.

Hiroto rapidamente começou a refazer o feitiço que havia sido interrompido pelas comunicações inesperadas. “Hijiri, cuide do corpo daquele garoto–”

Nesse instante, a voz da “Vênus” Tsuchiya Kanako, que não deveria estar conectada ao Angel, ecoou.

“Certo, parem! Se vocês danificarem ainda mais os corpos de Pluto e Enma, vamos prendê-los por obstrução à investigação!”

“O quê–?! Por que você está conectada ao Angel?!”

Hiroto olhou para Narumi, surpreso, e viu que ela também tinha uma expressão de espanto. Mas a surpresa dela era diferente da dele.

“H-hã? Por que eu deixei ela conectada ao Angel? Por que pensei que ela era uma aliada…?”

Ao ver Narumi nesse estado atordoado, Hiroto instintivamente percebeu o que Kanako havia feito.

“Droga, ela usou a habilidade dela!”

Hiroto gemeu pelo fato de ele e seus companheiros não terem entendido a habilidade de Kanako, e por si mesmo por não ter percebido. Mas, mesmo assim, tentou queimar os corpos de Pluto e Enma. No entanto, Hijiri o impediu.

“Hijiri, por que você está me impedindo?!” exigiu Hiroto.

“Hiroto, é tarde demais. Agora que Tsuchiya nos viu, nossas desculpas não vão funcionar. Ou você pretende ser preso por obstrução de investigação?”

“Mas aqui não são os Estados Federais!”

“É verdade, estamos em uma nação da Federação Nórdica. Mas você acha que a Federação Nórdica vai te acobertar? Se você se tornar um criminoso, os Bravers podem se desfazer. No máximo, as Nações Unidas mandarão um novo supervisor para assumir o controle. Eu não quero isso.”

“Isso é… kuh!”

Hiroto tentou pensar em um jeito, usando quaisquer habilidades, magias, informações e conexões possíveis, para proteger seus companheiros Bravers sem entregar os restos de Pluto e Enma.

Ele não podia confiar nas Nações Unidas, que eram controladas pela União Nórdica e pelos Estados Federais — que haviam transformado o grupo de Murakami em investigadores infiltrados.

Kanako já havia visto que Pluto e Enma estavam mortos.

E todos os altos oficiais e ricos do mundo desejavam o Mana do atributo da morte que permanecia nos corpos de Pluto e Enma.

“… Droga.”

Sem conseguir encontrar uma maneira de realizar os dois desejos, Hiroto escolheu proteger seus companheiros vivos e a organização Bravers.

Então Murakami Junpei entrou na sala com uma expressão orgulhosa… ou melhor, amarga, com Kanako atrás dele.

“O que foi? Sua cara está bem pálida, considerando que foram vocês que escolheram nos abandonar”, disse Hiroto.

“Não foi uma vitória completa para nós também. Situações inesperadas aconteceram uma atrás da outra, e só conseguimos vencer por pouco”, respondeu Murakami.

Murakami não havia revelado sua identidade de investigador infiltrado para os Bravers porque queria. Ele não tinha outra escolha; só havia feito isso porque era a última opção que lhe restava.

Seria melhor se tivéssemos conseguido matar Pluto e recuperar os corpos sem que esses caras percebessem, ou roubar os corpos depois que eles os matassem, mas… eu não pensei que eles simpatizariam com a Oitava Direção e tentariam queimar os corpos. Eles são loucos? Não sabem o quanto esses corpos valem? pensou Murakami amargamente, apontando o queixo para a porta, sinalizando para Hiroto e seus companheiros saírem.

“Agora então, vamos recolher esses aqui. Vocês cuidem de limpar as coisas em outro lugar”, disse a eles.

“Seria problemático se vocês atrapalhassem, viu!” acrescentou Kanako animada.

Nenhum dos dois lados queria olhar para o rosto do outro. Agora que não havia mais nada a ser feito, Hiroto não tinha objeções em deixar a sala.

“… Antes disso, quero que me digam uma coisa”, disse Hiroto. “Foram vocês que detonaram a bomba na sede dos Bravers e mataram Izumi e Aran?”

Ele fez essa pergunta no fim. Anteriormente, Kouya havia investigado com a Habilidade de Oráculo e concluído que seria impossível cometer aquele crime com as habilidades que Murakami e seus nove companheiros possuíam.

“Ah, aquele incidente”, disse Murakami com um aceno de cabeça. Ele fechou os olhos, como se recordasse.

A verdade era que, de fato, havia sido obra de Murakami Junpei.

Usando um certo contato, ele havia recebido uma granada de mão do “Gungnir” Kaidou Kanata e, com sua habilidade Chronos, a manteve por muito tempo, usando essa habilidade para atrasar a ativação do Gungnir.

Então, lançou a granada através das paredes da sede dos Bravers para matar seus dois alvos.

“Desculpe decepcionar vocês, mas não fomos nós. Foram os caras da Oitava Direção. Não sei quais métodos eles usaram, porém”, disse Murakami.

Não havia razão para que ele fosse honesto e contasse a verdade.

“Isso é verdade?” Hiroto perguntou.

Claro, ele não acreditou nas palavras de Murakami de imediato.

Mas Kanako deu um sorriso malicioso. “Você tem alguma prova ou alguma base para duvidar de nós?”, ela perguntou.

Hiroto soltou um som de frustração.

Tanto a “Inspetora” Shimada Izumi quanto o “Laplace” Machida Aran, que possuíam a habilidade de Cálculo, teriam usado suas habilidades em situações como essa, mas foram justamente eles as vítimas.

“Bem, vocês só precisariam perguntar ao Oráculo quando voltarem, não é?”, continuou Kanako.

Embora Hiroto e seus companheiros ainda não soubessem, o “Oráculo” Endou Kouya também já havia sido morto.

“Enquanto estivermos aqui, não vamos deixar vocês fazerem o que bem entenderem”, cuspiu Hiroto ao sair da sala, lançando um olhar amargo para Murakami e Kanako.

Murakami e Kanako soltaram um grande suspiro quando ele saiu.

“Será que ele acha que estamos fazendo o que queremos?”, disse Kanako.

“Temos muitos problemas pela frente. Nós, vilões, temos nossos próprios problemas também, seu merda”, murmurou Murakami.

Os dois começaram seu trabalho, começando pela recuperação do corpo de Pluto. Se não o levassem com eles, perderiam seus status de investigadores infiltrados, então isso também era necessário para eles.


No mesmo dia, Murakami e Kanako, assim como a sobrevivente “Aegis” Melissa e o “Hecatoncheir” Doug, estavam no departamento nacional de defesa dos Estados Federais… um prédio em forma de hexágono, conhecido popularmente como o Hexágono.

A sede da agência de inteligência que os empregava ficava em outro lugar, mas sob o Hexágono havia uma instalação de pesquisa ultrassecreta, abrigando os poucos pesquisadores sobreviventes do laboratório oculto que havia descoberto originalmente o atributo da morte.

Por isso eles haviam sido convocados até ali, trazendo consigo os cadáveres da Oitava Direção.

“Haah… tudo é tão sério aqui”, murmurou Doug.

“Fomos nós que conseguimos emprego em um lugar tão sério assim”, disse Melissa.

“E eu me sinto bem deprimida.”

“Quase falhamos, afinal. Espero que eles não cortem nossas recompensas.”

Com o insatisfeito Doug e Melissa atrás deles, Murakami e Kanako seguiram para um lugar semelhante a uma sala de espera, guiados por outros funcionários.

Sob o Hexágono, os corpos de Pluto e dos outros seriam minuciosamente examinados e usados para pesquisas sobre o atributo da morte.

Os corpos de Shade, Izanami, Ísis, Baba Yaga e Ereshkigal tinham sido impossíveis de recuperar, mas com grande esforço conseguiram coletar o corpo de Enma, bem como o de Jack o’ Lantern, o de Ghost, o sangue de Valkyrie e os fragmentos restantes de Berserk.

Tudo isso seria analisado, e pesquisas e experimentos desumanos — daqueles dos quais Hiroto e seus companheiros desviariam o olhar — seriam conduzidos ali.

Com a justificativa de que era para o bem de toda a raça humana.

Murakami e seus companheiros tinham tido contato com os membros da Oitava Direção por muito tempo enquanto ainda estavam vivos, então também haviam sido levados ali para serem interrogados e auxiliar nas pesquisas.

“Vocês acham que eles vão vir interferir com a gente?”, perguntou Doug. “Se vierem, vou adorar lutar. Da última vez não consegui enlouquecer como queria.”

“Doug, se está falando dos Bravers, não há chance de eles virem aqui. Este é o departamento nacional de defesa. Vir até aqui seria iniciar uma guerra. Não tem como Amemiya Hiroto, o bom menino, permitir isso”, disse Melissa.

“E graças ao Shade, ele também não tem tempo para isso”, acrescentou Kanako.

Atualmente, os Bravers estavam sendo bombardeados por críticas do mundo inteiro. Graças às falsas informações espalhadas pela internet pelo “Oráculo” Endou Kouya, cujo corpo havia sido possuído por Shade, havia agora um grande alvoroço sobre ele ter sido um adorador do diabo e sobre ele e os outros Bravers terem obtido suas habilidades ao fazer contratos com o diabo.

Infelizmente, como a existência do diabo nunca havia sido confirmada, Amemiya Hiroto e seus companheiros não tinham como provar que isso não era verdade.

Não havia como provar que não haviam assinado um contrato com um ser cuja existência nunca fora comprovada.

Era literalmente a “Prova do Diabo”.

Havia também todo tipo de outros rumores, como o de que os Bravers haviam deliberadamente deixado os soldados das forças especiais dos países perecerem, que as más ações de Kaidou Kanata haviam sido ordenadas por Amemiya Hiroto, e que o próprio Amemiya havia dado a ordem de matar a “Metamorph” Shihouin Mari porque ela havia descoberto a verdade.

“Bem, tudo isso não passa de besteira sem fundamento. Depois de um tempo, essa informação será conhecida como as palavras insanas do Oráculo louco ou como informações falsas vazadas por Shade. As suspeitas em torno dos Bravers vão se dissipar, mas o número de pessoas que não conseguem confiar neles vai aumentar. No fim, tudo saiu perfeitamente, não é?”, concluiu Doug.

“Entendo, então é assim… ei, você pode não simplesmente aparecer do nada e assustar o Sensei desse jeito, Rikudou?” disse Melissa.

Doug e Melissa olharam surpresos para a quinta pessoa na sala, o “Avalon” Rikudou Hijiri.

Mas Hijiri não se perturbou por terem notado sua presença; ele fez uma leve reverência a Murakami, com um sorriso cavalheiresco no rosto.

“Parece que vocês conseguiram realizar o mínimo do que foi pedido, mas foi um trabalho bem grosseiro, não foi?”

De fato, era o “Avalon” Rikudou Hijiri, que ainda era um membro dos Bravers. Ele era o cérebro por trás do grupo de Murakami.

Ele havia persuadido os indivíduos isolados, Murakami Junpei e Tsuchiya Kanako, a trair os Bravers; planejado para que Murakami obtivesse uma granada de mão de Kaidou Kanata; arranjado o encontro do grupo de Murakami com os principais líderes da agência de inteligência dos Estados Federais, que ele já havia lavado o cérebro secretamente; e até teve participação no sequestro da “Gazer” Minuma Hitomi, que estava em tratamento em uma instalação.

E também tinha sido ele quem ajudou Shade a matar Endou Kouya, dos Bravers, sem que o próprio Shade percebesse.

“Foi o nosso primeiro trabalho, afinal”, disse Murakami.

“Todos têm um primeiro trabalho. Mas resultados são esperados de profissionais, mesmo quando é o primeiro. Não é verdade?” disse Hijiri.

“… Isso é verdade”, murmurou Murakami para seu ex-aluno antes de cair em silêncio.

A relação que tinham tido na Terra já não era mais válida ali.

Hijiri havia pedido a Murakami que fizesse quatro coisas: garantir o corpo de Pluto e entregá-lo aos Estados Federais; eliminar Gazer, Marionette e Death Scythe antes do fim da missão; entregar quaisquer outras partes de corpos dos membros da Oitava Direção que pudessem ser obtidas; e apagar qualquer vestígio do que não pudesse ser coletado.

A última parte, a eliminação, havia sido feita pelos Bravers por vontade própria, mas todos os pedidos tinham sido cumpridos.

No entanto, três companheiros foram perdidos e o fato de que agora trabalhavam para os Estados Federais havia sido revelado a Hiroto e seus companheiros; se fosse uma prova, Murakami teria apenas passado raspando.

“Mas Hijiri, você também estava lá! Não podia ter nos ajudado um pouco? Não aja como se fosse tão importante!” Doug disse, atacando Hijiri com as palavras.

“Doug, não diga besteiras dessas!”

Melissa e Kanako tentaram interrompê-lo às pressas.

“Está tudo bem”, disse Hijiri, sem que seu sorriso vacilasse. “Ele só está entendendo errado uma coisa. Eu… Rikudou Hijiri, nunca estive lá. Quem estava lá era ela.”

“Eh? Do que você está falando, Rikudou-kun, você estava com os Bravers o tempo todo–?!” começou Kanako.

A aparência de Hijiri mudou para a de uma mulher, bem diante dos olhos confusos de Kanako. Kanako e Murakami conheciam muito bem aquela mulher.

“A ‘Metamorph’ Shihouin Mari…?!”

“É, mas não a chamem pelo nome tantas vezes”, disse Shihouin Mari, que supostamente havia morrido em uma explosão em sua cela isolada. Ela falava com a mesma expressão e tom, como se tivesse sido tomada pelo próprio Rikudou Hijiri.

“Lavei o cérebro dela cuidadosamente com magia e drogas, mas não é uma habilidade, então não pode ser chamado de perfeito. Pode haver momentos repentinos de ruído, então cuidado, só por precaução.”

E então, ela voltou a se transformar no “Avalon” Rikudou Hijiri mais uma vez.

Quem estava com os Bravers naquela época não era o próprio Rikudou Hijiri, mas a “Metamorph” Shihouin Mari, que havia se transformado nele.

Murakami sentiu espanto e medo ao descobrir esse fato, mas, ao mesmo tempo, fez sentido.

Eu realmente achei estranho o próprio cérebro por trás de tudo sair em campo, mas era um sósia desde o início.

Também provavelmente tinha sido Hijiri quem puxou os fios por trás da explosão de Shihouin Mari. Ele havia colocado um corpo diferente em seu lugar e lavado o cérebro da verdadeira Mari para adicioná-la à sua coleção de peões. Embora isso tivesse sido tratado como obra da Oitava Direção, o verdadeiro culpado estava entre os Bravers, e isso havia ocorrido depois da morte de Shimada Izumi e Machida Aran.

Provavelmente isso havia sido simples para Hijiri, já que ele era profundamente confiável para Amemiya Hiroto.

Aquele meticuloso mentor deu um sorriso amargo enquanto Murakami olhava para ele.

“… Ah, não me entenda mal. Não estou culpando você, nem reduzindo suas recompensas. Isso é só um pouco de conversa fiada”, disse Hijiri — que era ainda mais vil do que Murakami — através de Mari, que agora aparentemente não passava de um dispositivo de retransmissão na forma de uma pessoa.

“O-o quê?” disse Doug, parecendo confuso.

“Já que vocês cumpriram os requisitos mínimos do que pedi, não tenho do que reclamar. É isso que quero dizer. Vocês receberão as recompensas prometidas e serão empregados na agência de inteligência com o tratamento que lhes foi prometido. Será difícil que sejam tratados como líderes logo de início, mas providenciarei para que o trabalho venha até vocês, assim poderão construir suas realizações”, disse Hijiri, listando condições favoráveis uma após a outra.

“Tem certeza de que pode prometer coisas assim?” perguntou Murakami.

“É claro. Apesar da minha aparência, eu controlo a agência de inteligência de uma nação superpotência pelas sombras, e ninguém sabe disso além de vocês quatro, sabiam? É simples.”

“Então fico grato, mas…”

Nesse momento, a voz de um locutor soou pelos alto-falantes, chamando Murakami e seus companheiros.

“Parece que é hora. Então, com licença”, disse Hijiri, transformando-se em um funcionário da Hexagon enquanto saía.


Em uma sala de operações, de onde era possível ver o laboratório subterrâneo através de uma camada de vidro reforçado, havia trabalhadores de jaleco interrogando Murakami e seus companheiros.

Doug, Melissa e Kanako cooperavam com a investigação sem sinais de descontentamento, já que Rikudou Hijiri lhes havia assegurado que seus futuros estavam garantidos.

No entanto, Murakami sentia um estranho desconforto em relação ao comportamento de Rikudou Hijiri.

Tem algo errado.

De jeito nenhum conseguia se livrar daquela sensação desagradável e sinistra.

O que havia de tão errado nele? Seu comportamento? A forma como falava como se fosse uma pessoa importante?… Não, não era isso!

São as palavras que ele disse, as palavras que queríamos ouvir! Eu disse coisas parecidas para Death Scythe e Marionette! Se você vai matá-los de qualquer jeito, promessas vazias estão de bom tamanho!

Então, o motivo pelo qual ele pediu para virmos aqui e entregarmos o corpo de Pluto, pelo qual ele estava tão obcecado, foi…!


De repente percebendo algo, Murakami se levantou da cadeira, movido por uma sensação de medo. Ele se aproximou do vidro reforçado para olhar o cadáver de Pluto, que estava sob investigação.

“O-o que houve, Murakami-sensei?”

Ignorando as vozes surpresas dos outros, Murakami olhou para o cadáver de Pluto bem a tempo de ver um funcionário encostar o bisturi no corpo.

“P-PAAAAREM!” gritou Murakami.

Mas o bisturi não parou, perfurou a pele de Pluto. Então, algo semelhante a um gás negro explodiu daquele ponto com força incrível.

“O-o quê?!”

“Mana de atributo Morte detectada! Isso já… já ultrapassou níveis críticos!”

Dentro do laboratório, os pesquisadores que vestiam equipamentos de proteção — que incluíam defesa mágica também — caíram no chão um após o outro. Um alarme soou, e os gritos dos operadores encheram o ar.

Ninguém sabia exatamente o que havia acontecido, mas Murakami foi o único a perceber instintivamente.

Essa era a “morte” que Pluto havia acumulado por quase dez anos. Essa imensa quantidade de morte deveria ter sido despejada em Narumi, mas agora que Pluto estava morta, não havia mais para onde ir e ela estava transbordando!

“S-Sensei! O que aconteceu?!” gritou Doug.

“Não pensem nisso, vamos sair daqui!” Murakami gritou de volta, com uma expressão completamente diferente. “Vocês estão no caminho, saiam!”

Ele lançou um feitiço em direção à saída, que estava cheia de funcionários da Hexagon, arremessando-os para longe junto com a porta.

Gritos ecoaram na sala enquanto sangue e fragmentos de ossos e carne enchiam o ar.

“O-o que você está fazendo?! Se você massacrar os funcionários do estado nacional de defesa, vai ser acusado de traição!” gritou Melissa para o aparentemente enlouquecido Murakami.

Doug e Kanako o encararam, atônitos.

“Eu não dou a mínima! Corram logo!” disse Murakami, disparando em uma corrida.

Quando os outros três olharam para trás, a névoa negra de alguma forma avançava sobre eles através do vidro reforçado.

Melissa, Doug e Kanako viram a fumaça tocar uma jovem operadora, que soltou ruídos estrangulados enquanto era mumificada em questão de segundos. Suas expressões mudaram, e eles correram apressados atrás de Murakami.

No entanto, logo o alcançaram.

“I-isso é ruim, estamos cercados!” murmurou Murakami.

O corredor à sua frente… o corredor que levava ao elevador que os levaria até a superfície, estava tomado pela fumaça negra.

A fumaça havia avançado mais rápido do que eles imaginaram.

“M-Melissa, use o Aegis, nos proteja com o Aegis!”

“S-sim!”

“Doug, quebre o teto! Vamos escapar por lá!”

“Certo!”

Os quatro rapidamente se abrigaram dentro do escudo do Aegis. Então Doug abriu um buraco no teto com sua telecinese. Escombros caíram em chuva, mas Doug os lançou para longe com sua habilidade enquanto tentava continuar cavando.

Se conseguisse cavar até a superfície, estariam salvos. Ou pelo menos foi o que pensaram, até que Doug começou a ter convulsões de repente.

“D-Doug?!”

“O-o que é essa fumaça, ela está se misturando com os escombros… Tocá-la até mesmo com as habilidades é ruim…!”

Kanako soltou um grito. Bem diante de seus olhos, a umidade foi drenada do corpo de Doug, restando apenas pele e ossos. Ele desabou com um baque surdo.

“Nem com habilidades dá pra tocar?! Melissa, você…!” Murakami começou, mas quando se virou, viu que Melissa já estava morta, mumificada onde estava. “A-até o Aegis não funciona?!”

“Paredes de Água e de Gelo também desaparecem na hora! Essa névoa absorve Mana?!” Kanako tentava erguer barreiras com feitiços, mas parecia que a fumaça negra absorvia não só a força vital, como também o Mana; seus feitiços simplesmente sumiam como neblina.

E com a morte de Melissa, o Aegis desapareceu. A névoa negra avançou implacável sobre os dois sobreviventes.

“C-Chronos!”

Murakami usou Chronos em si mesmo e em Kanako, tentando atrasar os efeitos da fumaça negra, mas só conseguiu ganhar algumas dezenas de segundos.

Seu Mana era absorvido em uma velocidade incrível; nem mesmo sua segunda habilidade, Recuperação de Mana Super, conseguia acompanhar.

Kanako gritou em desespero: “Isso… eu não quero morrer assim, por quê?! Por quê?!”

“MERRRDA! Você sabia que isso ia acontecer e nos armou uma cilada, Rikudou! Maldito! MALDIÇÃÃÃÃÃOOO!” rugiu Murakami.

Os dois se olharam enquanto se transformavam em múmias e pereciam.


O atributo Morte que o Hexagon dos Estados Federais vinha pesquisando saiu do controle, causando a morte de todos os funcionários do Hexagon presentes no prédio na época, assim como Murakami Junpei e outros três ex- Bravers.

A substância negra, semelhante a uma névoa, engoliu os terrenos do departamento de defesa nacional e tentou se espalhar ainda mais.

O exército foi convocado às pressas para conter isso, mas não conseguiu sequer retardar a expansão da névoa.

Quando os ministros, desesperados, começaram a pressionar o presidente para disparar um míssil nuclear contra o Hexagon, os Bravers — que o mundo inteiro observava com olhos cheios de suspeita — chegaram ao local.

Por sugestão do ‘Avalon’ Rikudou Hijiri, os Bravers usaram um plano baseado em magia dos atributos Luz e Vida, aproveitando os poderes de Amemiya Hiroto, para dissipar a névoa negra de atributo Morte que cobria o Hexagon.

Numa reunião onde os mais importantes de seus colaboradores estavam reunidos, Rikudou Hijiri juntava os dedos repetidamente e depois os separava de novo, parecendo inquieto.

“O que houve, Rikudou?” perguntou um de seus colaboradores, chamando sua atenção. “É incomum você estar tão agitado, não é?”

Hijiri deu um sorriso amargo.

“Esse é um mau hábito que tenho desde o passado. Eu me sinto desconfortável quando as coisas dão certo demais. Se houvesse um plano que eu consideraria um grande sucesso se alcançasse setenta por cento de seus objetivos, e então ele fosse lá e alcançasse noventa por cento, não dá pra me culpar por achar difícil acreditar, certo?”

A cadeia de eventos cujos fios tinham sido puxados por Rikudou Hijiri. Todos que eram um obstáculo ou um perigo para ele agora haviam desaparecido, exceto uma pessoa.

Aqueles que tinham sido obstáculos para seus planos, forçando-o a elaborar estratégias indiretas — o ‘Oráculo’ Endou Kouya, Cálculo, Inspetora, Gazer e mais uma pessoa.

Aqueles com habilidades que representavam um perigo para ele — Death Scythe, Marionette e Mage Masher.

Os que ele usou para se livrar desses indivíduos, os que sabiam que ele era o mentor, pessoas vulgares em quem não podia confiar porque trairiam seus aliados por motivos insignificantes — o ‘Chronos’ Murakami Junpei e outros seis.

E aqueles que o impediam, a ele e seus colaboradores, de monopolizar o atributo Morte — os membros da Oitava Orientação que carregavam Mana de atributo Morte dentro de si, bem como os sobreviventes do laboratório secreto da nação militar, que estavam escondidos no Hexagon para conduzir pesquisas em magia do atributo Morte.

Hijiri tinha conseguido levar todos eles à morte sem usar suas próprias mãos, exceto um.

“O único que resta é Amemiya Hiroto, hein,” murmurou um de seus colaboradores.

“O Braver… o herói é persistente, afinal,” disse outro.

“Não, não é nada disso. Se ele, o líder, desaparecesse, haveria a chance de os usuários de habilidades da organização Bravers se dispersarem. É mais conveniente que todos eles estejam reunidos em um só lugar. É mais fácil usá-los — e se livrar deles — dessa forma,” explicou Hijiri, corrigindo seus colaboradores.

Na verdade, ele havia feito seus planos de forma a garantir que Amemiya Hiroto não fosse morto por Pluto. Não era Hiroto quem estava em seu caminho.

“Naruse Narumi… não, Amemiya Narumi. Pensar que Pluto se impediria de matá-la.”

A morte da ‘Anjo’, Naruse Narumi. Esse foi o único objetivo dessa cadeia de eventos que não havia sido alcançado.

“Foi inesperado que ela estivesse nos estágios iniciais de gravidez, mas… acho que o mais inesperado foi que Pluto fosse mais romântica do que eu imaginava,” disse Hijiri.

“A não ser que você tenha sido servido pela deusa do destino, trazer à tona todos os resultados que desejava sob aquelas circunstâncias teria sido impossível. Ou essa é uma das habilidades que você possui?” perguntou um dos colaboradores.

“Não. Como já expliquei a vocês, as habilidades que possuo são Velocidade de Aprendizado Aumentada e Desenvolvimento Ilimitado.”

O ‘Avalon’ Rikudou Hijiri. Ele era o reencarnado que havia recebido as habilidades mais simples e aparentemente “trapaceiras” entre os Bravers.

A habilidade de aprender conhecimento e habilidades mais rápido do que os outros, e a habilidade de se desenvolver como pessoa sem limites, não eram dons que ele pudesse mostrar aos outros e dizer: “Vejam, esses são os meus poderes!”

Ele não tinha sido usado para elaborar planos como o ‘Oráculo’ Endou Kouya, nem tinha sido notado como o ‘Noah’ Mao pela conveniência de suas habilidades. Também não podia agir em campo usando apenas suas habilidades, como Death Scythe, Hecatoncheir e Gungnir faziam.

Mas, usando suas habilidades, ele havia estudado diligentemente e se tornado um dos técnicos dos Bravers… um especialista em magia. Esse foi o resultado de ele ter se dedicado apenas a aumentar sua proficiência mágica enquanto os outros reencarnados ainda lutavam para aprender a usar suas habilidades.

E por causa disso, Hijiri tinha uma certa ambição. Ele reuniu pessoas para o seu lado a fim de transformar essa ambição em realidade, e agora elas estavam reunidas nessa assembleia.

Membros dos Bravers como Hijiri, oficiais religiosos, pessoas do meio político e empresarial, militares – indivíduos poderosos de todas as origens.

Hijiri separou os dedos mais uma vez e apontou para o monitor que exibia todas essas pessoas enquanto se dirigia a elas.

“Agora então, vamos deixar as reflexões de lado. Hoje é uma festa de celebração. Daqui em diante, nós vamos cultivar a humanidade, trilhando o caminho para uma nova raça humana que evoluiu tanto física quanto espiritualmente. Antes de tudo, adquiriremos o poder do ‘Morto-Vivo’… a pessoa que deveria ter se tornado o 101o Braver!”

Bem cedo, Rikudou Hijiri havia chegado à verdade de que o ‘Morto-Vivo’ era um dos reencarnados… provavelmente Amamiya Hiroto, a quem Naruse Narumi havia confundido com Amemiya Hiroto.

Ele chegou a essa conclusão pelo fato de que o ‘Morto-Vivo’ apreciava arroz no laboratório de pesquisas em que fora criado.

O Morto-Vivo não desejava carne, peixe ou doces, mas arroz. Ele era asiático, mas havia sido criado em uma cultura europeia. Apesar de ter sido criado em um laboratório, onde os únicos alimentos que deveria conhecer eram os que lhe davam, o Morto-Vivo desejava arroz.

Outras pessoas poderiam ter simplesmente presumido que ele ouviu algum funcionário do laboratório falando sobre arroz, mas Hijiri era diferente.

A época em que ele nasceu é mais ou menos a mesma que a nossa. Não seria ele também reencarnado do Japão?

Tendo percebido isso instintivamente, Hijiri destruiu o documento que registrava o fato de que o Morto-Vivo desejava arroz.

E então, com a hipótese de que o Morto-Vivo era um reencarnado, ele iniciou sua própria pesquisa independente sobre o atributo da morte.

“Isto é raciocínio sobre raciocínio, mas permitam-me declarar: nossas mãos alcançarão o atributo da morte! E através do atributo da morte, evoluiremos para uma nova humanidade!” disse Hijiri.

Os cooperadores de Hijiri se agitaram, aplaudiram e ovacionaram.

A ambição de Rikudou Hijiri era se desenvolver de uma forma que realmente transcendesse todos os limites.

Devido aos efeitos de Desenvolvimento Ilimitado, era possível para ele desenvolver sua resistência, Mana e habilidades infinitamente, tornando-se um super-humano.

Mas mesmo assim, ele ainda estaria preso às restrições de ser apenas um “super-humano.”

Se continuasse estudando diligentemente pelas próximas décadas, Rikudou Hijiri provavelmente deixaria seu nome na história como um mago com a maestria mágica de um deus.

Mas ele não seria um deus.

Mesmo que levasse sua proficiência em magia até os limites, um dia envelheceria e morreria. Do ponto de vista de uma pessoa comum, ele poderia parecer onipotente, mas na realidade seria limitado de várias maneiras, bem distante da verdadeira onipotência.

O mais importante: seu corpo era frágil demais.

Não importa o quanto se desenvolva, o tempo que leva para os comandos do cérebro chegarem aos nervos não pode ser encurtado. Órgãos sensoriais, órgãos internos, músculos, ossos, todos são fracos demais. Minha habilidade apenas remove a restrição do desenvolvimento, afinal. Ela não é algo que pode me fazer evoluir para além do humano.

Mas se ele dominasse a magia do atributo da morte –

Esse será o momento em que me tornarei membro de uma nova raça humana além do Homo sapiens… não, eu me tornarei um deus!

Enquanto seus cooperadores lhe davam uma ovação de pé, o gênio com o desejo ardente de se tornar um ser sobrenatural reafirmava sua determinação de alcançar sua ambição, mesmo que isso significasse usar os outros como sementes para nutrir seu crescimento.


Murakami Junpei, Tsuchiya Kanako, Doug Atlas, Melissa J. Sautome, mortos.

Reencarnados restantes: 79.


Completamente alheio a esses eventos, o deus de Origin fazia seu movimento.

Assim como o deus da Terra, era uma entidade criada após o nascimento da humanidade, a partir de suas religiões, medos e imaginação.

Era muito menor que o da Terra, mas havia se dividido em inúmeras entidades divinas modeladas a partir de seres lendários e míticos, e todas existiam simultaneamente.

Estava em um estado em que anjos e demônios estavam constantemente em contato direto uns com os outros e, portanto, seus componentes separados vinham interferindo entre si desde o seu nascimento.

Como resultado de uma negociação com Zuruwarn, o deus do espaço e da criação, um deus do mundo estrangeiro de Lambda, o deus de Origin moveu-se com um único propósito.

Esse propósito era entregar as almas dos membros da Oitava Orientação a Zuruwarn, que residia no mundo estrangeiro de Lambda.

Normalmente, o renascimento de todas as almas estava sob a jurisdição de Rodcorte. Interferir nisso era uma grave violação das regras.

No entanto, o deus de Origin tinha muitos motivos para cometer esse ato.

Afinal, Rodcorte havia reencarnado cento e um indivíduos em Origin vindos de outro mundo, sem nenhum aviso prévio, e ainda concedido a todos eles, exceto um, habilidades especiais.

E a razão de ele ter feito isso era para que eles usassem Origin como um tutorial… um campo de treino, antes de serem reencarnados em Lambda.

Tanto os seres divinos quanto os demônios do deus de Origin ficaram enfurecidos com isso.

Foi por isso que o deus de Origin cooperou com Zuruwarn.

Quando as almas da Oitava Orientação tentaram obedecer às regras e retornar a Rodcorte, uma das entidades divinas encarregadas da vida após a morte e da reencarnação as deteve e as enviou a Zuruwarn. Quando Rodcorte tentou interferir nisso, todas as demais entidades divinas o repeliram.

Como deus, Rodcorte tinha vantagem em poder e em sua história pessoal. No entanto, aquilo era Origin. Os únicos que sabiam da existência de Rodcorte eram os indivíduos reencarnados, dos quais cerca de oitenta ainda permaneciam.

Não havia como todos os deuses da raça humana de Origin serem derrotados por ele.

O deus de Origin teve a sensação de que havia recolhido acidentalmente uma alma diferente junto às demais, mas uma divindade do amor, entre muitas outras, expressou a opinião de que ela deveria ser enviada junto, e muitos dos demônios, reis demônio e monstros espirituais detestavam a ideia de ter o trabalho de separar apenas aquela alma. Assim, o deus de Origin simplesmente enviou todas essas almas para Zuruwarn.


Zuruwarn, o deus com a aparência de um leão alado de quatro cabeças, aguardava as almas da Oitava Orientação.

Vandalieu já havia criado um receptáculo para que elas reencarnassem assim que as almas fossem recebidas.

“No começo, ele simplesmente pretendia usar a relíquia de Vida para criá-las, mas… embora seja coincidência, é incrível que ele tenha pegado a forma-base de vida sem alma e a forma-base de um espírito sem vida, e depois as unido. Como esperado de Vandalieu, que já foi aqueles quatro.”

Zakkart, Ark, Solder e Hillwillow. Vandalieu estava correspondendo às expectativas de possuir uma alma formada pelos fragmentos das almas daqueles quatro.

“Agora, tudo o que resta é colocar as almas no receptáculo em ordem e esperar pelo nascimento de novas vidas. Mal posso esperar~”

Zuruwarn sempre teve a personalidade de um trapaceiro. Uma das coisas que ele mais aguardava era esse empreendimento que provavelmente enfureceria Alda, o deus da lei e do destino.

Seu objetivo original, no entanto, era enviar aliados de Vandalieu para provar que ele não era inimigo de Vandalieu.

“As reações do deus da Terra são lentas; os novos irmãos ainda estão vagando. Ricklent ainda está grogue por ter usado demais seu poder… Não sou incrível por continuar trabalhando nessas circunstâncias?”

Enquanto Zuruwarn falava sozinho em um tom normal e informal, as almas da Oitava Orientação chegaram.

“Tudo certo?… Hmm? Parece que há uma que não é necessária?… Hmm, hmm, então é assim.”

Decidindo que isso não importava, Zuruwarn começou a colocar as almas, incluindo a da ‘Gazer’ Minuma Hitomi, no receptáculo criado por Vandalieu.

Mas, naquele momento, a enorme mão de Rodcorte se estendeu em sua direção.

“Entregue essas almas!” exigiu Rodcorte.

“Zuruwarn! Pegue essas almas e recue por enquanto!” gritou Ricklent, o gênio do tempo e da magia, tentando deter aquela enorme mão. No entanto, ele nem conseguiu ganhar tempo para Zuruwarn.

“Que persistente você é, me perseguindo até Lambda!” murmurou Zuruwarn.

A mão de Rodcorte lançou Ricklent para o lado e tentou agarrar Zuruwarn, tentando tomar as almas que ele segurava.

Aquele lugar fazia parte de Lambda, o mundo onde Zuruwarn e Ricklent eram adorados. Normalmente, assim como o deus de Origin, eles teriam conseguido repelir Rodcorte.

No entanto, diferente do deus de Origin, Zuruwarn e Ricklent estavam feridos; continuavam usando seus poderes sem ter se recuperado completamente dos ferimentos sofridos na batalha contra o Rei Demônio.

Para Rodcorte, aquilo era pouco mais que tirar doce de criança.

“Não vou deixar você levá-las tão facilmente!” pensou Zuruwarn, cravando seus dentes no braço de Rodcorte. Foi um ato pequeno, praticamente sem efeito. O dano que Rodcorte sofreu equivalia a apenas marcas aparecendo em seu braço.

No entanto, esse dano fez o braço de Rodcorte parar.

“Agora é a hora! Vão, minhas almas!”

Aproveitando o único momento que teve, Zuruwarn impulsionou todas as almas que segurava para dentro do receptáculo.

“A reencarnação já foi completada! Saiam daqui!” gritou Ricklent.

Com um gemido de frustração, o braço de Rodcorte desapareceu. Ele provavelmente percebeu que não havia mais nada que pudesse fazer.

Por mais poder que tivesse, ele não podia sair de sua jurisdição. Ter apenas uma autoridade era a fraqueza de Rodcorte.

Zuruwarn soltou um suspiro de alívio com suas quatro cabeças. “Está tudo bem?” perguntou a Ricklent.

“Não é nada sério. Mas…” Ricklent olhou para Zuruwarn com uma expressão preocupada.

Zuruwarn assentiu. “Eu sei. As coisas ficaram complicadas. Rodcorte descobriu que nos tornamos aliados de Vandalieu.”

Até aquele momento, Rodcorte teria presumido que os deuses de Lambda não eram aliados de Vandalieu, pelo menos entre os divinos atualmente ativos.

No entanto, Zuruwarn e Ricklent eram aliados de Vandalieu… O que aconteceria agora que Rodcorte sabia que eles haviam começado a interferir diretamente?

Mas Ricklent balançou a cabeça, ainda com uma expressão preocupada para Zuruwarn, seu irmão. “Não, não é isso,” disse ele. “Irmão, você ignorou todos os procedimentos que eu estabeleci como deus da magia, não foi?”

As almas da Oitava Orientação deveriam ter sido reencarnadas no receptáculo uma por vez, com alguns minutos de intervalo. Com Ricklent lançando vários feitiços durante o processo, inclusive.

Mas Zuruwarn simplesmente colocou todas as almas no receptáculo de uma vez.

“… Ah,” disse Zuruwarn.

“Isso não é o que você deveria dizer.”

“Mas foi uma situação de emergência… Veja, o receptáculo parece conter as almas agora, então a reencarnação não foi um sucesso?”

“De fato, a reencarnação aconteceu.”

Os dois deuses olharam para o receptáculo… a forma básica de vida que Vandalieu havia criado usando a relíquia de Vida, enquanto ela borbulhava e se contorcia ferozmente.

“… Nem eu consigo imaginar em que forma elas irão se reencarnar,” disse Ricklent.

“Será que estraguei tudo pela primeira vez em muito tempo?” pensou Zuruwarn, mas decidiu culpar tudo em Rodcorte.

“Bem, tenho certeza de que vai dar certo. E Rodcorte é o culpado. Agora, vou retornar às negociações com o deus da Terra, então deixo o resto com vocês,” disse Zuruwarn, e então partiu.

“Ele fugiu…” Ricklent soltou um suspiro profundo e decidiu que, por enquanto, manteria vigia sobre o receptáculo contendo as almas de todos os membros da Oitava Orientação e da ‘Gazer’ Minuma Hitomi.

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