Enquanto isso, em Origin, vários dias após o décimo segundo aniversário de Vandalieu em Lambda…
As pessoas deste mundo realizavam medições de Mana em crianças depois que elas completavam três anos de idade, embora o momento dessas medições diferisse ligeiramente de país para país. Instituições médicas públicas realizavam testes para determinar as afinidades das crianças para cada atributo — que eram características com as quais as pessoas nasciam — e era exigido por lei relatar os resultados desses testes.
Isso era verdade até mesmo para os filhos de funcionários do governo de alto escalão, celebridades, membros de gangues e da máfia, e era verdade para os filhos nascidos de pais que pertenciam aos Bravers.
Uma semana havia se passado desde o terceiro aniversário de Amemiya Mei, e sua família a levou para fazer os testes. Para as pessoas deste mundo, o teste aos três anos de idade era equivalente às celebrações do Shichi- Go-San.
(NT vindo Yoshi(tradutor do Ingles): Shichi-Go-San é uma celebração japonesa quando as crianças completam três e sete anos (para meninas), e cinco anos (para meninos)).
O teste em si era simples e não demorava muito para que seu resultado fosse conhecido. Muitas famílias desfrutavam de uma refeição no restaurante ou faziam uma festa em casa após o teste, tornando-o uma celebração maior do que o terceiro aniversário da criança.
Tendo tirado licença do trabalho para este dia, os Amemiyas pretendiam fazer isso também.
A equipe do hospital coletou uma amostra de Amemiya Mei… uma amostra de células retiradas do interior da boca. Mas inserir esta amostra dentro da máquina que extraía Mana em vez de DNA não gerou um resultado.
“… Isso é estranho. Por que o resultado do teste não está aparecendo?”
“Um problema com a máquina?”
“Isso não é possível. A máquina está funcionando normalmente.”
Máquinas que mediam a afinidade de alguém para cada atributo eram comuns nos tempos modernos. Essas afinidades geralmente nunca mudavam ao longo da vida de uma pessoa, então essas máquinas eram usadas apenas uma vez para cada pessoa, mas até mesmo clínicas em regiões rurais e ilhas remotas eram obrigadas por lei a tê-las.
Operá-las era ainda mais simples do que uma máquina de raios-X; nenhuma qualificação especial era exigida. Qualquer pessoa poderia operá-las após fazer um curso de várias horas sobre o manuseio de informações pessoais.
A manutenção da máquina havia sido realizada de acordo com os regulamentos, e ela estava funcionando normalmente hoje. E, no entanto, a amostra de Amemiya Mei — e apenas a dela — não produziu nenhum resultado além de ‘Erro’.
“Talvez a amostra tenha sido contaminada. Você pode conseguir que eles forneçam outra?”
“Muito bem…”
A equipe chegou à conclusão de que haviam contaminado a amostra por engano… Talvez parte da amostra de outra pessoa tivesse sido misturada à de Mei, fazendo com que a máquina não produzisse um resultado correto.
Em outras palavras, eles acreditavam que era o resultado de um erro humano de sua parte. Naturalmente, eles não estavam convencidos por essa explicação. Mas, dado que a máquina estava funcionando normalmente, essa era a única possibilidade.
As pessoas neste mundo possuíam uma afinidade por pelo menos um dos sete atributos — terra, água, fogo, vento, vida, luz e espaço. Essas afinidades eram possíveis de medir uma vez que o Mana no corpo de uma criança se estabilizasse, por volta dos três anos de idade.
Isso era conhecimento comum. Um oitavo atributo já havia sido descoberto, mas para as pessoas deste mundo, isso era como um único corvo albino entre toda a população de corvos do mundo, e não era algo que fosse realmente levado em consideração.
Um dos funcionários foi imediatamente para onde os Amemiyas estavam esperando e, após explicar a situação, voltaram com outra amostra de Mei.
Com uma quantidade incomum de cuidado e atenção aos detalhes, eles colocaram essa amostra na máquina e iniciaram o teste. Mas o resultado foi o mesmo ‘Erro’ de antes.
“O que… isso poderia significar? Devemos pedir outra amostra?” disse um dos funcionários do sexo masculino de escalão inferior.
“Não, o resultado provavelmente será o mesmo não importa quantas amostras coletemos. É provável que o problema não seja com o nosso procedimento ou com a máquina, mas com a própria Amemiya Mei-chan”, disse o membro da equipe mais experiente.
“P-problema?!” disse o funcionário em espanto.
Os Amemiyas… Eles eram pessoas mundialmente famosas e conhecidos por serem heróis, e o membro sênior da equipe estava sugerindo que algo estava acontecendo no corpo da filha deles.
Mas essa conclusão não era tão séria.
“O Mana no corpo dela provavelmente ainda está instável. Afinal, existem diferenças individuais no desenvolvimento. Embora seja extremamente raro, casos de Mana não estabilizando aos três anos de idade já foram relatados à associação médica”, disse o membro sênior da equipe.
“Entendo. Isso é um alívio… Então, o que vamos fazer com o resultado do teste?” perguntou o funcionário.
“Vamos fazê-los voltar para outro teste em meio ano.”
Era muito importante determinar as afinidades de alguém para os atributos. Afinal, o tipo de magia que alguém aprenderia e o tipo de profissão que exerceria no futuro dependiam disso.
Se alguém quisesse ser um bombeiro, seria mais fácil aprender a lançar magia de atributo água para ser capaz de produzir um volume generoso de água do que alcançar o nível extremamente alto de técnica e controle em magia de atributo fogo necessário para iniciar e extinguir incêndios à vontade.
No entanto, as crianças sendo testadas estavam em um estágio anterior ao recebimento da educação primária; não havia uma corrida contra o tempo aqui. Ninguém além dos pais mais obcecados por educação se importaria muito em saber as afinidades de seus filhos para os atributos meio ano depois das outras crianças.
“Certo”, disse o funcionário, movendo-se em direção à porta para explicar a situação aos Amemiyas. “Então vamos… lá…?”
Mas, de repente, ele parou em seu caminho de uma maneira não natural. Os outros membros da equipe na sala também pararam de se mover inteiramente, como se o tempo tivesse sido congelado.
“Qual é o problema?” o membro sênior da equipe perguntou em confusão, mas os outros funcionários nem sequer olharam para ele. “Ei, parem de brincadeira… por… aqui…?”
E então ele viu. A coisa para a qual os outros funcionários estavam olhando fixamente.
No canto da sala, em um ponto cego da câmera de segurança, havia algo que se assemelhava a uma pessoa.
“Olá”, disse.
Parecia um homem com cabelos brancos e rosto branco, vestindo um casaco de pele. Mas sua voz, apesar de ter um tom monótono, era aguda, então talvez fosse uma mulher.
No entanto, a equipe rapidamente parou de pensar sobre seu gênero ao notar que seu rosto tinha quatro olhos que brilhavam estranhamente.
A equipe tentou gritar de medo e escapar para chamar a segurança. Mas seus corpos… estavam completamente congelados, e eles não conseguiam nem mover os olhos.
“Não parece ser muito eficaz a esta distância. Preciso abrir mais o meu olho”, disse a criatura… Banda, enquanto abria sua boca o suficiente para ser maior do que uma cabeça humana.
Ele revelou o interior de sua boca, que era alinhado com dentes afiados, e um enorme globo ocular saltou de dentro.
O globo ocular emitiu um brilho sinistro que varreu a consciência dos homens de seus corpos. No entanto, seus corpos não colapsaram no chão; eles permaneceram como estavam.
“Vocês agora farão exatamente o que eu disser. Troquem a amostra de Amemiya Mei com a de uma criança que tenha afinidade apenas com o atributo luz e executem o teste novamente. Depois disso, descartem tanto a amostra real quanto a substituta usando seus procedimentos padrão. Seus procedimentos padrão normais, entenderam?” Banda os instruiu. “Assim que terminarem, esqueçam estas instruções e esqueçam que eu sequer existo. Compreenderam?”
Vendo a equipe assentir em resposta, Banda deu um aceno satisfeito e fechou a boca, então desfez sua habilidade de ‘Incorporação’ para ir para a sala de segurança em seguida.
Banda já esperava que uma máquina de teste comum não fosse capaz de produzir um resultado para Mei durante o teste que ocorreria aos seus três anos de idade. Afinal, máquinas comuns não conseguiam detectar Mana de atributo morte.
Então, Meh-kun realmente tem afinidade com o atributo morte, afinal, pensou ele.
Esta era a única conclusão possível, dado o fato de que esta máquina de teste comum falhou em dar um resultado por dois testes consecutivos.
O que Banda faria no caso de Mei realmente possuir uma afinidade com o atributo morte? Ele havia consultado preventivamente o ‘Druida’ Joseph Smith, que se tornara seu aliado, bem como vários outros que ele guiara através de sonhos, para tomar uma decisão.
Ele faria uma lavagem cerebral na equipe do hospital para fabricar um resultado afirmando que Mei tinha afinidade apenas com o atributo luz. Com o atributo luz, a educação de nível primário envolvia apenas produzir uma luz na ponta dos dedos e controlar a intensidade e a cor dessa luz. Durante esses exercícios, Banda seria capaz de enganar aqueles ao redor de Mei usando seus órgãos luminescentes.
Sim, enganá-los durante esse tempo era o melhor que ele poderia fazer.
No futuro, se tornaria impossível esconder a afinidade de Amemiya Mei com o atributo morte. Ou, pelo menos, se ela quisesse viver na sociedade deste mundo, seria impossível evitar que esse segredo se tornasse conhecido. Afinal, a magia era uma parte cotidiana da vida neste mundo.
A única coisa que Banda poderia fazer era ganhar um pouco mais de tempo antes que o segredo dela fosse descoberto.
Bem, nem tenho tanta certeza de que consegui ganhar muito tempo com isso.
Ele estava a caminho de fazer uma lavagem cerebral na equipe de segurança para fazê-los alterar ou excluir imagens das câmeras de segurança, mas apesar de fazer tudo isso, a quantidade de tempo que ganhara era muito pequena… Banda suspeitava que não passaria nem de alguns dias, quanto mais anos.
Um ser misterioso que não era um fantasma havia entrado anteriormente na residência Amemiya, e Banda se livrara dele. Se isso fosse obra de um subordinado de ‘Avalon’ Rikudou Hijiri, o traidor entre os Bravers, então Mei já estava sendo visada.
Sendo esse o caso, era apenas uma questão de tempo.
Precisarei fazer movimentos mais ousados daqui para frente.
Felizmente, ele havia se ressincronizado recentemente com seu corpo principal, Vandalieu, e atualizado suas habilidades… Ele ficou surpreso por ter se tornado pai, mas essa era a menor de suas preocupações no momento.
Quando chegar a hora… Se acontecer de Meh-kun não conseguir encontrar a felicidade neste mundo, invocarei meu corpo principal e farei com que ele se materialize… Mas o que deve ser feito sobre os Amemiyas? Acho que não seria tão ruim fazer meu corpo principal sofrer como eu estou fazendo agora.
Banda já havia tomado uma decisão sobre o que fazer com Hiroshi, o irmão mais velho de Mei, assim como Joseph e os outros. O único problema eram os pais de Mei e Hiroshi.
Com o teste no hospital encerrado, os Amemiyas retornaram para casa, acreditando no resultado de que sua filha possuía afinidade com o atributo luz, e organizaram uma festa como haviam planejado.
“Obrigado a todos por terem vindo celebrar minha filha hoje. Esqueçam o trabalho por um dia e divirtam-se. Saúde!” disse Amemiya Hiroto, levantando sua taça.
Os Bravers presentes e os amigos que os Amemiyas fizeram neste mundo levantaram suas próprias taças com um “Saúde!” em resposta.
‘Hermes’ Baker e ‘Titan’ Iwao estavam trocando conversas casuais com taças de champanhe nas mãos.
“Amemiya e Narumi são um ótimo casal, hein. Preciso dar o meu melhor para acompanhar o ritmo”, disse Baker.
“Baker, você disse a mesma coisa quando o Hiroshi fez três anos”, apontou Iwao.
“Ugh! N-não dá para evitar, tá legal? A pessoa com quem eu estava saindo na época terminou comigo!”
A conversa deles então se voltou para aqueles que haviam morrido e não estavam ali.
“Naquela época, aquele Asagi estava tentando exibir algum truque de mágica porcaria e estragou tudo, exatamente como todos esperavam, né.”
“É. Aquele cara tinha esse lado dele… Akagi, Tendou, Mao, Endou. Aqueles caras também estavam todos rindo naquela época. Eu me pergunto o que eles estão fazendo agora? Existe um céu, ou eles renasceram em algum lugar?” Iwao se perguntou em voz alta, olhando para o vazio.
“Não tenho certeza sobre a Mao, mas os outros reencarnaram e estão indo bem. De acordo com a rede de informações da casa do Duque Alcrem, pelo menos”, Banda respondeu, plenamente ciente de que Iwao não podia ouvi-lo.
De acordo com a rede de informações do Duque Alcrem, Asagi e seus companheiros estavam aparentemente trabalhando como aventureiros empregados pelo Ducado de Birgitt enquanto conduziam um projeto de pesquisa sobre selos para fragmentos do Rei Demônio.
O corpo principal de Banda, Vandalieu, estava impressionado com a maneira como eles se estabeleceram na sociedade de Lambda muito mais rápido do que ele, provavelmente devido às fortunas e destinos que receberam de Rodcorte.
Quanto à pesquisa deles, Vandalieu era incapaz de lidar com fragmentos do Rei Demônio que saíam de controle em locais distantes, então ele esperava que eles produzissem alguns resultados… embora não tivesse intenção alguma de estender a mão e ajudá-los.
Asagi e seus companheiros certamente estavam recebendo informações sobre Vandalieu através de Rodcorte e da casa Birgitt, mas o fato de não terem vindo interferir em nada do que ele estava fazendo era provavelmente um sinal de que eles, assim como ele, não tinham intenção de fazer contato.
Quanto à ‘Noah’ Mao Smith, nem mesmo a rede de informações da casa Alcrem alcançava além das fronteiras do continente Bahn Gaia, então ele só ouvira rumores de mercadores. De acordo com esses rumores, os negócios dela iam bem.
De qualquer forma, a coleta de informações que a casa Alcrem realizara como parte de suas atividades de inteligência fora feita com a instrução de obter qualquer informação sobre novos aventureiros que tivessem assinado contratos exclusivos com a casa Birgitt, e uma estranha anã que havia deixado o continente Bahn Gaia…
em vez de uma instrução para investigar indivíduos reencarnados. Assim, era possível que outra investigação revelasse novas informações.
“Chega de conversa sombria. Aqueles caras odiariam que estivéssemos falando deles quando deveríamos estar comemorando,” disse Iwao.
“Você tem razão… Então, que esta seja a última vez que falamos disso. Saúde,” disse Baker.
E com isso, eles brindaram e se concentraram em celebrar a afinidade de Mei pelo atributo luz.
A propósito, Kanako, Melissa e Doug não foram mencionados pelos Bravers. Os Bravers os consideravam traidores como Murakami, e isso era verdade, então eles não podiam ser culpados por isso.
Eu entendo isso, mas ainda é desagradável, pensou Banda.
“Banda?” disse Mei, que era sensível e sentiu que Banda não estava de bom humor.
“Não é nada, Meh-kun,” disse Banda, limpando esses pensamentos de sua mente.
“Hmm? O que foi, Mei?” perguntou uma das Bravers, a ‘Eco’ Ulrika Scaccio. “O que é Banda…?”
“Oh, não ligue para ela. É um amigo que apenas a Mei consegue ver,” disse Narumi.
“Um amigo que apenas a Mei consegue ver… Ela está bem?” disse Ulrika, parecendo preocupada.
Não foi Narumi, mas Iwao, quem respondeu.
“Está tudo bem,” ele disse. “É o que se conhece como um amigo imaginário, sabe. Amigos que apenas você consegue ver quando é uma criança pequena.”
“Ela está realmente bem? Não é alguma forma de trauma do incidente, é?” disse Ulrika, preocupada que este fenômeno pudesse ser um efeito do incidente no qual Mei e Hiroshi foram sequestrados junto com sua babá e guarda-costas.
Ela própria estava sofrendo mentalmente devido às suas missões árduas e dependia do uso regular de medicamentos para se manter mentalmente estável, então não podia simplesmente ignorar isso.
“Ulrika, como o Iwao-kun diz, está tudo bem,” Narumi a assegurou. “Mei tem falado sobre seu amigo Banda desde antes do incidente acontecer.”
Ela possuía a habilidade ‘Anjo’ que lhe permitia compartilhar consciência e sensações com outros, mas não a usara em Mei para tentar ver Banda — porque estava convencida de que era apenas um amigo imaginário que sua filha pequena teria apenas temporariamente.
Ela acreditava que expor que Banda era apenas um amigo imaginário seria semelhante a dizer a ela que o Papai Noel não existia, então, após discutir o assunto com seu marido, decidira simplesmente ficar de olho na filha. No entanto, o assunto provavelmente seria discutido novamente se Mei ainda pudesse ver Banda após atingir a idade escolar primária.
“Banda,” disse Mei, estendendo a mão em direção a Banda.
“Vamos, você prometeu não prestar muita atenção no Banda hoje, não prometeu?” disse seu irmão mais velho, Hiroshi, pegando-a nos braços.
Banda pedira a ele para cuidar de Mei durante a festa, já que ele não seria capaz de usar ‘Materializar’ com os convidados por perto.
“Obrigado, Hiroshi. Embora você provavelmente não consiga me ouvir agora,” disse Banda.
“Nii-cha, ele disse obrigado,” Mei disse ao irmão. “E o remelexo?”
“De nada. E nada de remelexo,” disse Hiroshi.
“Nada de remelexo?”
“Definitivamente não.”
“Suponho que me transferir para dentro do Hiroshi não seja possível. Eu não tenho um corpo físico, afinal. Ah, mas pode ser possível com a sombra dele,” Banda disse para si mesmo.
Banda era uma entidade dividida de Vandalieu, criada ao reunir fragmentos de sua alma. Assim, ele não tinha um corpo físico. No entanto, talvez fosse possível transferir uma parte de si mesmo com a sombra de alguém, algo que também não tinha uma forma física.
“Vou tentar na próxima vez,” decidiu Banda.
Se tivesse sucesso, isso aumentaria o poder de Hiroshi. Sua aquisição de magia sem atributo estava progredindo suavemente, mas era improvável que isso por si só fosse de muita utilidade contra Rikudou Hijiri. Valia a pena tentar.
“Sabe, o Banda disse que vai tentar,” disse Mei.
“Tentar o quê?! Pare com isso, não faça nada estranho comigo!” disse Hiroshi, que ainda segurava Mei, enquanto girava ansiosamente em círculos para tentar ver Banda.
Os adultos ao redor das crianças riram.
Exatamente quando esta cena preenchia a sala com uma atmosfera leve —
“Ei, desculpe o atraso.”
O ‘Avalon’ Rikudou Hijiri chegou. Atrás dele estava o ‘Xamã’ Moriya Kousuke.
“Você certamente demorou. Achei que tivesse decidido não vir,” Amemiya disse brincando.
“Desculpe por isso. Algum líder por aí decidiu passar um tempo com a família, e isso tornou as coisas mais difíceis para o resto de nós, entende,” Rikudou disse com um sorriso.
“Palavras tão duras. Mas tenho certeza de que você consegue dar conta, certo, líder nas sombras?”
Amemiya e Rikudou apertaram as mãos, e muitas das pessoas próximas, incluindo Narumi, Iwao e Baker, deram as boas-vindas a Rikudou também.
Houve algumas exceções — as pessoas que foram guiadas por Vandalieu através de sonhos, incluindo o ‘Druida’ Joseph Smith, que estava tomando cuidado para não demonstrar o nervosismo que sentia por dentro.
Parecendo não notar isso, Rikudou Hijiri começou a falar com Joseph.
“Não te vejo há algum tempo, Joseph. Ouvi dizer que o aconselhamento tem corrido bem para você,” ele disse.
“É. Ainda seria difícil para mim voltar ao campo, mas acho que serei útil pesquisando plantas e apoiando a indústria agrícola,” disse Joseph, assustado, mas conseguindo produzir uma resposta amigável.
“Fico feliz em ouvir isso. A verdade é que há vários Bravers que tiveram alguns problemas mentais, incluindo você, e todos vocês começaram a se recuperar por volta da mesma época. Você tem alguma ideia do porquê?”
“Isso é… Desculpe, mas não me vem nada à mente.”
Na realidade, era porque ele fora guiado por Vandalieu, mas ele não podia dizer isso.
“É apenas uma coincidência, não é?” Joseph disse, tentando disfarçar.
“Suponho que sim… Todos vocês estiveram em tratamento por um tempo, e os psiquiatras designados para vocês não estavam colaborando de forma alguma. Suponho que deva ser pensado como uma coincidência,” disse Rikudou. “De qualquer forma, estou feliz por você.”
“S-sim. Obrigado,” disse Joseph, que se sentia confuso.
Ele não pretendia duvidar de Banda, mas será que Rikudou estava realmente conduzindo pesquisas ilegais sobre o atributo morte? Rikudou estava se comportando de forma tão natural, como um amigo, e certamente não parecia estar tramando nada.
Esse sentimento era compartilhado pelos outros Bravers que Banda tornara seus aliados. E Joseph não era o único tentando desesperadamente manter a calma.
Era o ‘Xamã’ Moriya Kousuke.
Não há erro… Tem algo aqui! Nesta sala… bem ao meu lado!
Ele era capaz de criar um espírito artificial usando seu próprio Mana, e podia sentir instintivamente a presença de Banda.
Que quantidade tremenda de Mana. Tanto quanto o ‘Undead’, ou até mais. E está claramente em guarda contra mim… não, contra o Rikudou-san. Assim que alcançarmos o que viemos fazer aqui, devemos ir embora o mais rápido possível.
Como subordinado de Rikudou, Moriya conduzira muitas missões de coleta de informações e assassinatos. Foi essa experiência que lhe permitiu sentir a ameaça invisível que era Banda… embora não houvesse quase nada que Moriya pudesse fazer nesta situação, apesar de ser capaz de sentir essa ameaça.
Parecendo não notar o comportamento de Moriya, Rikudou terminou mais algumas conversas casuais com seus colegas e então se aproximou de Mei e Hiroshi.
“Ei, Hiroshi-kun,” disse Rikudou. “Você me deixaria segurar a adorável estrela da festa de hoje?”
“Uh, s-sim.”
Banda dissera a Hiroshi que, se Rikudou Hijiri falasse com ele, ele deveria fazer o que lhe fosse dito. E assim, Hiroshi entregou Mei, que subitamente ficara muito quieta, para Rikudou.
“Olá, Mei-chan. Você cresceu, não foi?”
Mei olhou para Rikudou com uma expressão curiosa enquanto ele a segurava. Atrás dele estava Banda, que estava pronto para agir se ele tentasse qualquer coisa, mesmo que isso significasse ser visto pelos outros Bravers.
Banda estava com a boca bem aberta, pronto para arrancar a cabeça de Rikudou a qualquer momento. Seus quatro braços, capazes de rasgar placas de ferro como se fossem feitas de argila, estavam enrolados em volta do corpo de Rikudou em um quase abraço. Parecia que Mei achava isso muito curioso.
Além disso, uma parte de Banda já estava escondida na sombra de Rikudou. Ele era capaz de matar Rikudou instantaneamente ou imobilizá-lo se ele mostrasse qualquer comportamento estranho, ativasse algum dispositivo ou lançasse um feitiço.
E a alma de Vandalieu estava pronta para abrir imediatamente um buraco no espaço e entrar neste mundo se necessário.
… Este não é o Rikudou.
Mas estando tão perto, Banda percebeu que a pessoa diante dele não era Rikudou. Ele… ou melhor, ela, era a ‘Metamorfo’ Shihouin Mari, que se transformara em Rikudou Hijiri.
“O que houve?” disse ‘Rikudou’. “Ou talvez isso já fosse esperado. É a primeira vez que nos encontramos assim… Eu sou?”
“Você está bem?” perguntou Mei. “Você já descobriu? Quem você é?”
“E-eu me pergunto do que você está falando. Sou eu, o Tio Rikudou. Sou amigo da sua mamãe e do seu papai… Hã?”
Rikudou estava exibindo uma expressão calma e descontraída, mas agora, seu rosto estava completamente pálido e coberto de gotas de suor frio. Seu sorriso era agora tenso e forçado.
“E-eu sou Rikudou Hijiri. Rikudou, Hijiri? S-sim, Hijiri. Este lugar é, eu sou… eu sou? Papai… Mamãe?”
‘Rikudou Hijiri’ começou a ter convulsões de uma maneira não natural e parecia que começaria a espumar pela boca e desabar a qualquer minuto.
“Rikudou-kun!” gritou uma Narumi alarmada, tirando apressadamente Mei de seus braços.
“Rikudou-san!” exclamou Moriya enquanto agarrava ‘Rikudou’ para impedi-la de cair. “Sinto muito! Rikudou-san parece estar se sentindo um pouco mal, então vamos nos retirar! Aproveitem a festa, pessoal!”
“E-ei, o Rikudou está bem? Não deveríamos lançar alguma magia de cura…?” disse Amemiya, parecendo preocupado.
“Não se preocupe, temos medicação para ele. Mas leva um tempo para fazer efeito, então vamos embora,” disse Moriya, recusando firmemente as ofertas de ajuda, pois sabia que a pessoa que estava segurando não era Rikudou Hijiri.
Ele estava agindo desesperadamente para controlar a situação; se o disfarce da ‘Metamorfo’ se desfizesse ali, revelando a supostamente morta Shihouin Mari, não haveria como explicar a situação.
Muitos ficaram perplexos com essa série de eventos e observaram com preocupação enquanto ‘Rikudou Hijiri’ era levado embora.
O verdadeiro Rikudou Hijiri, tendo visto o que aconteceu na residência Amemiya em tempo real, sorriu com satisfação. Ele agora tinha certeza de que sua grande ambição seria realizada.
“Como eu pensei, Amemiya Mei tem afinidade com o atributo morte e Mana de atributo morte.”
De acordo com o resultado do teste, ela tinha afinidade com o atributo luz, mas Rikudou não acreditara nisso por um segundo. Afinal, a sombra da Oitava Orientação espreitava ao redor dela… embora na verdade fosse Banda.
Rikudou acreditava que, se algo estranho tivesse acontecido no teste… se o teste fosse refeito, ou se a equipe do hospital que ele subornara se recusasse a ouvir suas ordens, ou se as imagens das câmeras de segurança fossem misteriosamente apagadas, então a conclusão era que Mei tinha afinidade com o atributo morte, independentemente do resultado que saísse no papel.
“Eu devo adquiri-la e pesquisá-la a qualquer custo.”
Esta era a segunda pessoa a nascer neste mundo com afinidade com o atributo morte, sendo a primeira o ‘Undead’. Pesquisá-la certamente ajudaria a desvendar os mistérios do atributo morte.
Seus pais, Amemiya Hiroto e Narumi, bem como os Bravers que frequentemente tinham contato com eles, como Joseph, causariam problemas para adquiri-la. Os ainda não identificados ‘remanescentes da Oitava Orientação’ também eram mais do que problemáticos, mas… isso tinha que ser feito, mesmo que Rikudou tivesse que fazer alguns sacrifícios e revelar sua verdadeira identidade.
Com esses pensamentos em mente, Rikudou começou a contar as cartas que tinha na manga e os métodos que poderia usar.
“É uma pena que a ‘Metamorfo’ tenha perdido sua boa condição em um momento como este, mas tanto faz. Vou fazer com que ela me ajude com alguns experimentos humanos antes que quebre. Experimentos para adquirir artificialmente uma afinidade com o atributo morte, isto é.”
Por que o ‘Undead’ — Amamiya Hiroto — e Amemiya Mei possuíam afinidade com o atributo morte? Por que Pluto e os outros membros da Oitava Orientação tinham apenas uma afinidade imperfeita?
Nenhum deles tinha afinidade com qualquer outro atributo; eles tinham isso em comum. Então, o que os diferenciava?
Era a experiência da morte.
“Embora seja óbvio, nós, indivíduos reencarnados, incluindo o ‘Undead’, experimentamos a morte na Terra. Mas Pluto e os outros, embora o que experimentaram estivesse próximo da morte, eles não morreram de fato. Isis, que entrou em um estado de morte cerebral. Valkyrie, que entrou em parada cardíaca. Berserk, que perdeu a maior parte do corpo. Shade, que perdeu tudo de si… Nenhum deles morreu completamente. Mas é provável que Amemiya Mei tenha morrido completamente uma vez. Quando ela era um feto.”
Tinha acontecido quando Mei era tão pequena que sua mãe, Amemiya Narumi, nem sequer sabia que estava grávida dela. Ela fora morta por Pluto. Quando Pluto despejou ‘morte’ na mãe de Mei, Narumi, levaria algum tempo para Narumi morrer. Mas Mei era menor que uma unha e não fora capaz de resistir.
Mas Pluto reabsorvera a ‘morte’ imediatamente depois, e Mei fora revivida junto com sua mãe. Isso fora possível porque Mei era um feto, em um estado em que dependia de sua mãe para existir.
Rikudou estivera lá e tinha certeza de que fora isso o que acontecera.
“Para adquirir as qualidades do atributo morte, deve-se experimentar uma morte completa. Entendo. Isso explica por que nenhuma instituição de pesquisa conseguiu produzir nenhum usuário do atributo morte até agora.”
Muitas instituições de pesquisa provavelmente conduziram experimentos onde pararam os corações das cobaias através de vários métodos e depois as reviveram. Mas nenhuma causara morte cerebral, além de parada cardíaca, nas cobaias antes de revivê-las. Ou mesmo que tivessem, era improvável que tivessem tentado testar se as cobaias eram capazes de usar magia de atributo morte depois.
Afinal, morrer uma morte completa era um requisito, e Rikudou Hijiri só se dera conta disso porque sabia que o ‘Undead’ era um indivíduo reencarnado, e porque ele próprio também experimentara a morte uma vez.
“Tudo o que resta fazer agora é descobrir como reviver o cérebro após a morte cerebral. Se apagarmos as afinidades das cobaias com outros atributos antes de matá-las, implantarmos dispositivos como os usados no ‘Undead’ para que possamos controlar seu Mana… Hmph. Pensar que eu acabaria criando o monstro de Frankenstein em outro mundo.”
A pesquisa de Rikudou até aquele ponto fora como tatear às cegas no escuro. Acreditando que agora podia ver um caminho para o sucesso, ele lutou para suprimir uma risada… e falhou, explodindo em uma gargalhada alta e triunfante.
“Eu certamente gostaria que a ‘Metamorfo’ produzisse alguns resultados. Afinal, se ela tiver sucesso, não terei que sequestrar a filha do meu amigo!”
Mas, sem o conhecimento de Rikudou, Pluto e os outros, apesar de terem morrido completamente em Origin, ainda eram capazes de usar magia de atributo morte apenas de formas limitadas após serem reencarnados em mais um mundo como Legion.