The World After the End – Capítulo 99

Caminho do Abismo (8)

Nona Região. Palácio do Monarca das Trevas.

Laika mal conseguiu terminar seu relatório. Então veio uma voz baixa e calma.

— Entendo… Então foi isso que aconteceu.

Laika se encolheu com aquela voz. Ele até pensou em fugir em vez de relatar ele mesmo. Foi uma derrota tão grave. Eles haviam perdido três Generais Superiores e dez Generais Inferiores. Era grande demais para ignorar. Além disso, Sameng Garam era apenas um General Superior, mas tinha o poder igual ao de um Comandante. E, no entanto, ele morreu no <Caos>. Como isso aconteceu?

— Então… Garam morreu.

Laika inclinou a cabeça com medo. O homem à sua frente era o braço direito do Monarca das Trevas. Ele era mencionado por seu título.

Estrategista das Trevas.

Havia muitos estrategistas e conselheiros, mas quando mencionado nas <Grandes Terras>, geralmente se referia a esse homem.

Sameng Hoon.

Ele era o segundo Comandante da nona região e o Príncipe da Família Sameng. Também era o irmão mais velho de Sameng Garam.

— Sempre achei que ele iria acabar assim.

— …

— Como foi seu último momento? Ele ficou satisfeito?

— S-Sim, senhor.

Laika respondeu. Este homem era mais temido não por causa de seu poder absoluto, mas por causa de seus métodos viciosos e profundo conhecimento.

— Olhe para cima.

Laika olhou para cima. Ele não queria encontrar os olhos do homem, mas não tinha escolha.

“Por favor, não me mate.”

Pensou Laika. Ele não conseguia entender o que Sameng Hoon estava pensando. Laika baixou lentamente a cabeça. Ele não suportava olhar nos olhos aparentemente que tudo viam de Sameng Hoon.

— Alguns dias atrás, fiz uma viagem até as <Raízes>. Queria tomar um pouco de ar fresco.

Raízes…? Para que direção essa história estava indo?

— Era um mundo escondido por aqueles [Pesadelos], então estava ansioso por isso. E realmente foi ótimo. Não sabia que existia um mundo assim.

Laika pensou rapidamente. O que ele estava falando? Estava tentando mandá-lo em uma missão de reconhecimento para as terras remotas? Não, não era isso. Então, Laika ficou esperançoso.

“Ele está me perdoando?”

Talvez este homem estivesse pensando em perdoá-lo por algum motivo desconhecido.

“Quero dizer, eu não podia fazer nada.”

Quem teria imaginado que um [Produto] poderia ser tão forte?

— E eu trouxe isso como souvenir.

Sameng Hoon apontou para um canto da sala. Havia uma pintura que Laika nunca tinha visto antes.

“O que é aquilo?”

Era um desenho com fundo bege, com a figura escura torta no centro. Na parte inferior, estava escrito [Ceci n’est pas une pipe], que ele não entendeu. Não eram palavras usadas nas <Grandes Terras>.

— Não é ótima?

— É mesmo, senhor!

Laika concordou rapidamente. Ele não sabia nada sobre isso, e Sameng Hoon o trouxe de volta.

— Essa pintura, o que você acha que é?

Laika olhou para novamente. E não conseguiu descobrir.

— É… Um cachimbo de cigarro?

Felizmente, parecia que a resposta estava perto de ser correta.

— Sim. É um objeto que parece um cachimbo de cigarro.

Laika sentiu uma certa inquietação com essa ênfase.

— Laika, então, você consegue ler a frase abaixo?

— Desculpe senhor. Não entendo o idioma…

Sameng Hoon acenou com a mão, então a frase foi traduzida no espaço acima.

Ceci n’est pas une pipe.

Isto não é um cachimbo.

Laika olhou para ele estupefato. Era o desenho de um cachimbo, mas as palavras diziam que não era. O que é que era isso? Sameng Hoon então falou surpreendentemente.

— Não é incrível?

— Hã? S-Sim…

— Ele desenhou um cachimbo, mas negou esse fato. Como o criador pensou nisso?

Laika nem conseguia entender do que ele estava falando agora.

— Laika, você acha mesmo que isso é um cachimbo?

— S-Sim… Parece…

— Não, não é um cachimbo.

Laika não pôde continuar.

— No entanto, ainda chamamos de cachimbo. Não tem a sensação de um cachimbo, ou um lugar onde podemos colocar enchimento para acendê-lo. Afinal, é apenas um desenho. Mas ainda o chamamos de cachimbo de cigarro. Não é estranho?

Isso estava correto. Aquilo era, afinal, apenas o desenho de um cachimbo. Não ele em si. Laika assentiu.

— S-Sim! Isso mesmo, senhor!

— Sim, mas é a mesma coisa com todo o resto. Há um monte de cachimbos, todos com aparências diferentes. Mas ainda os chamamos de cachimbos. Isso não é… Estranho?

— S-Sim, é, senhor!

— Então, depois de pensar um pouco, chegamos a esta questão. O que, então, é um “cachimbo de verdade”? Existe uma coisa dessas?

Laika olhou para o cachimbo novamente. Era um cachimbo, mas não era ao mesmo tempo. Ele entendeu o que Sameng Hoon estava dizendo, mas ficou desconfortável ao mesmo tempo.

Isso era realmente sobre o tal cachimbo?

— É uma obra de arte incrível. É difícil pensar dessa forma quando você é um Adaptado vivendo dentro de um sistema.

Laika assentiu, mas ele não conseguiu entender. Entendeu que tipo de pergunta a foto representava. Mas o que era tão importante pensar sobre isso?

— Você vê por que é importante agora?

— Sim, senhor. É um trabalho muito incrível.

Sameng Hoon assentiu.

— Você conhece arte.

— O-Obrigado, senhor.

— Então, é para você responder agora.

— S-Sim?

Laika se encolheu. Algo não estava certo.

— Fiz uma pergunta quando vi o desenho.

— …

— O que é um ‘General’?

Sameng Hoon olhou para Laika.

— É… É um ser, poderoso e digno, entre todos nesta terra.

— É mesmo? Sério?

— Sim, senhor.

— Entendo. Mas então…

O silêncio caiu.

— A quem se refere?

— S-Sim?

— Quer dizer o Bargas ali?

Sameng Hoon apontou para Barga, a Nevasca, que estava de pé em um canto da sala.

— Ou Masiha?

Ele então apontou para Masiha, o Branco, no outro canto.

— Ou eu?

Finalmente, ele apontou para si mesmo. Laika não tinha certeza do que estava acontecendo, mas ele sabia que não estava indo a seu favor.

— S-S-Sim, senhor…

— Certo. Então, isso é um general.

Sameng Hoon sorriu.

— Então, o que você é?

Laika sentiu seu coração afundar.

— VOCÊ é um general?

Como devia responder? Laika não conseguiu encontrar uma resposta para isso.

— Você falhou em destruir um [Produto] e perdeu todos os seus companheiros… E mesmo assim voltou vivo. Ainda é um General, um ser poderoso e digno?

— É-É…

Ele não soube responder. Se alegasse que era, então significava que era uma vergonha para todos os generais. E, no entanto, se dissesse que não era, então estava desonrando sua posição como general. Afinal, havia apenas uma resposta para essa pergunta.

Laika percebeu.

“Entendi.”

Seu destino foi decidido no momento em que entrou naquela sala.

Laika silenciosamente fechou os olhos.

Sameng Hoon olhou para Laika, preso em uma tela com a cabeça decapitada, e esfregou o queixo.

— Hum. Chamaremos esse de [Este não é um general]. O que você acha?

— É maravilhoso, senhor.

Bargas, a Nevasca, baixou a cabeça. Parecia que não estava nem um pouco incomodado com o que aconteceu, como se já tivesse visto isso muitas vezes. Sameng Hoon riu e perguntou:

— Onde eles estão agora?

— Perdemos o acesso à [Porta Estreita], então não temos certeza, mas achamos que ele já chegou à [Fábrica do Vazio].

— Então, eles estão quase no <Abismo>.

Sameng Hoon assentiu.

— Prepare-se para partir. Chame o quinto e o sexto Comandantes.

— Precisaremos da aprovação do Monarca para convocar os Comandantes. Como devemos proceder, senhor?

— O Monarca está ocupado no momento. Não o incomode com questões mesquinhas como esta.

— Sim, senhor.

Os generais saíram da sala e Sameng Hoon olhou para sua coleção. Eram lembranças que ele colecionava do Mundo 294. Havia desenhos, caricaturas e até consoles de jogos. Ele então parou na frente do último item. Foi por causa dessa peça que ele viajou para o Mundo 294.

Um corpo vivo. Pálido e frágil. Parecia que estava dormindo há muito tempo, então estava desnutrido. Este era o corpo real do [Produto] que estava correndo solto dentro do <Caos>. Foi o corpo de Jaehwan que Sameng Hoon mal conseguiu adquirir através de muitos subornos para os [Pesadelos] da União.

— Coragem para me suicidar? Palavras ousadas.

Sameng Hoon sorriu.

— Vamos ver se você também tem essa coragem.

Então, a porta do quarto se abriu.

— Comandante!

Sameng Hoon foi incomodado durante seu ‘Momento Sozinho’.

— O que foi? Eu disse para não me incomodar quando eu estiver sozinho.

— D-Desculpe, Comandante. Mas tenho uma pergunta.

— O quê?

— Não temos mais a [Porta Estreita]. Como vamos para o <Caos> agora?

Sameng Hoon zombou:

— Ele já não disse? Só iremos atrás dele, se tivermos coragem de nos suicidar.

— Hã?

Bargas ficou chocado com o que acabou de perceber.

— Você não quer dizer…

— Sim, faremos o que ele quer.

Sameng Hoon falou enquanto puxava o poder para sua mão. O crime de incomodá-lo durante seu momento sozinho era imperdoável.

— Você vai primeiro.

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